Resenha: Toren

TorenCAPA
“A torre que todos nós devemos escalar.”


Realidade

Toren3“Vou ter que subir isso tudo?”

Creio que esse é um jogo difícil de falar. Primeiro vamos a ficha técnica. Toren é um jogo desenvolvido pela Swordtales, um time brasileiro de desenvolvedores oriundos de Porto Alegre. E ainda, é o primeiro jogo que se beneficiou da lei de incentivo à cultura (vulgo Lei Rouanet). Uma ótima iniciativa para que os games venham a ser reconhecidos como meio de expressão válido. Coloco Toren no panteão de jogos artísticos intimistas, tais como Braid, Brothers, Journey, entre outros. E como tal, entendo que ele foi muito bem sucedido nesta classe (falarei sobre isso no próximo tópico).

Contudo, me entristece dizer que ele não foi bem sucedido como jogo, entre outros probleminhas. Permita-me explicar.

Toren não apresenta muita variedade tanto em termos de puzzle quanto de batalha. Ambos são muito simples. Ainda assim, devo dizer que apreciei muito os puzzles, foram bem feitos e encaixaram bastante com a temática. Mas a batalha, simplesmente deveria ter sido removida. Além de não agregar nada à jornada em termos de jogabilidade, o comando de ataque é ruim tanto esteticamente quanto de resposta. Para um arqui-inimigo mortal, o dragão faz poucas aparições durante o jogo e raramente é um desafio para o gamer.

Moonchild quando pula parece flutuar nos céus (algumas vezes isso aconteceu de verdade). O pulo estranho aliado a câmera fazem alguns pontos do jogo serem mais complicados do que deveriam. A câmera aparenta ser cinemática, mas atrapalha bastante, mostrando somente o que ela quer que você veja. Os cenários são tão interessantes que a câmera deveria ser mais livre, talvez vista por trás, o que facilitaria mais o progresso pelas telas.

Graficamente percebi algumas inconsistências. Alguns modelos gráficos eram lindos, já outros possuíam baixa resolução ou eram muito achatados. Por vezes fiquei preso no cenário incapaz de me mover. Fiquei até preso no meio de uma queda (fruto de uma câmera mal posicionada), onde a personagem se agarrou a uma plataforma invisível no meio do nada e ficou por lá mesmo.

Agora a música, uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi. Encaixou perfeitamente com os momentos focais do jogo. Não tenho palavras para descrever. Realmente é muito boa!

Metafísica

Toren1“Tem um dragão atrás de mim, não tem? Pode falar.”

Há tempos atrás uma torre chamada Toren foi construída. Fruto da ambição humana ela se tornou a própria imagem da corrupção. Condenados a um dia eterno onde o sol está sempre a pino, os seres humanos foram sumindo um a um, até restar Moonchild. Presa e solitária dentro desta torre misteriosa. Guiada por um dos antigos construtores, ela precisa aprender a lutar e a sobreviver para finalmente cumprir com a sua tarefa: subir a torre e enfrentar o dragão negro.

A pequena criança acorda solitária no meio de uma poça de sangue. E assim inicia a aventura. Sutilmente a criança vai crescendo e se desenvolvendo. Recuperando as suas memórias gradativamente, ela se lembra dos ensinamentos do antigo construtor que fala com ela através de enigmas. Meditando em frente às imagens do sábio, Moonchild descobre as emoções humanas e os sacrifícios que ela terá que fazer (ou já fez). Passo a passo chegando cada vez mais perto de seu objetivo.

O desenrolar da história é muito interessante. O gamer acompanha Moonchild durante as diversas fases de sua vida. Sendo facilmente perceptível pela mudança de roupa ou de postura. Tudo isto feito de forma graciosa. Morrer no jogo é um conceito interessante e o gamer mais atento perceberá o papel que isto tem para a história. Eu chamaria isto de spoiler se eu revelasse, portanto prefiro não falar para não estragar. Não existe resposta certa, no entanto, para os conceitos falados no jogo. Nada é dito explicitamente, e muitas vezes a vivência do gamer influenciará na interpretação. E isso é bom. Muito bom. Poderia até listar alguns, mas deixarei ao encargo de vocês.

Aliado a isso tudo, é ótimo ver as mulheres serem representadas mais uma vez nos jogos como protagonistas.

Conclusão

Faço um aviso aqui. A nota apenas reflete as questões que me incomodaram lá em cima na questão técnica. Não chega a ser um jogo quebrado, impossível de se jogar, mas é um obstáculo a mais que atrapalha o gamer na sua imersão nesse mundo incrível.

Dito isto, Toren é uma ótima experiência. Fiquei realmente comovido e imerso na aventura de Moonchild. Sobre a música, nem sei o que falar sobre ela. É sensacional. Combinou perfeitamente com o clima proposto. O final do jogo é de uma poesia absurda, e isso só confirma o que já venho falando: jogos são um meio válido de se expressar artisticamente. Reparem que não mencionei o tempo de jogo, e não foi à toa. Afinal se aprendi alguma coisa no jogo, é que tempo é uma coisa interessante…

Lançado apenas para PC (com a opção da trilha sonora) e PS4 e com um precinho super camarada, não há dúvidas, recomendo a todos esta experiência. E Swordtales, aguardamos ansiosamente o próximo projeto. Conte com o nosso apoio!

Nota: Torenota (2,0 / 5,0)

PS: E fiquem aqui com esta música simplesmente sensacional para acompanha-los enquanto estão lendo esta resenha.

Waltz of the fallen

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