Resenha: Valiant Hearts

Valiant1“Somente aqueles que nunca deram um tiro, nem ouviram os gritos e os gemidos dos feridos, é que clamam por sangue, vingança e mais desolação. A guerra é o inferno.”
( Gen. William T. Sherman )


Valiant Hearts surpreende os gamers do mundo desde o início. Temos mais um glorioso jogo sobre guerras, mas qual guerra? Segunda guerra mundial? Algo futurista? Algo batido como ameaças do oriente ou governos ditatoriais latino-americanos? Não! Nada disso.

O pano de fundo aqui é a primeira guerra mundial. Uma guerra pouco retratada em games, muito devido à popularidade da segunda grande guerra, mas brilhantemente contextualizada.

Liberté!

O jogo continua surpreendendo com uma emocionante abertura que mostra uma família separada pelo conflito bélico. Um brilhante roteiro que mostra um alemão casado com uma francesa sendo expulso do país por causa da guerra deflagrada, mostrando uma visão realista de que não há heróis e vilões em uma guerra, só há vítimas.

Valiant2

As surpresas continuam com a mecânica de puzzle que o jogo apresenta. Nada de armas mirabolantes de mira ultramoderna cuspindo fogo, aqui o que vale é a inteligência e o raciocínio rápido. Fases diversificadas e bem elaboradas te levam de uma simples mecânica de encontrar itens para prosseguir até fases onde a sua agilidade é testada dirigindo um antigo táxi parisiense em alta velocidade e desviando dos perigos da viagem. Tudo regado com uma excelente trilha sonora dando o tom correto de cada fase, desde fanfarras alegres até as melodias melancólicas que pontuam os momentos mais dramáticos da trama. E são muitos…

Égalité

A trama nos apresenta o ponto de vista de quatro personagens jogáveis. Emile, um agricultor francês que se alista para a guerra na esperança de encontrar o seu genro alemão Karl, expulso da França devido ao conflito entre os países onde nasceu e onde foi acolhido. Freddie, um americano que foi tocado da forma mais dura pela guerra e decide se alistar na tríplice entente com um objetivo primário de vingança e Anna, uma jovem belga que adentra as trincheiras em busca de seu pai, raptado pelo exército alemão para desenvolver armas de guerra.

Aqui não há super soldados, agentes secretos ou membros de tropas especiais. Valiant3Aqui há pessoas, cidadãos comuns afetados de alguma forma por um conflito que não lhes pertenciam. Aqui o ponto mais alto do jogo, o carisma de seus personagens simples e todos os terrores da guerra que enfrentam pelo caminho, Quase sempre com a ajuda do cão Walt, a mascote da trama a procura de seu dono.

O modelo de storyline que utiliza o ponto de vista de cada personagem para o avanço da trama, muitas vezes unindo-os na mesma fase permitindo o revezamento deles para resolver os diversos tipos de puzzles faz com que você realmente se importe com os personagens e com seus sofrimentos, bem ao estilo do jogo da Double Fine “The Cave” de 2013. Tudo isso regado com os diários que cada personagem escreve, o que enfatiza ainda mais suas angustias. Sem dúvida uma decisão que faz com que você realmente siga os passos de todos os personagens sem exceção, quase sempre os igualando em termo de simpatia.

Além disso, existe o grande aspecto moral e humanitário no jogo. O fato de Anna ter puzzles de cura tanto de soldados franceses como de alemães. Emile sendo ajudado e ajudando um soldado alemão a fugir de um túnel subterrâneo. Karl, que mesmo sendo obrigado a se alistar no exército alemão, não para de pensar em sua esposa e filho franceses, a decisão de Freddie quando vislumbra a sua vingança. E ainda temos o amor do cão Walt por seu dono alemão. Parabéns a Ubisoft nesse ponto, fugindo do estereótipo do “bom e o malvado” e mostrando que apesar das diferenças, todos somos iguais.

Fraternité!

Sem dúvida um dos pontos mais elogiáveis do jogo é a forma como mostra a história sendo fiel ao seu storyline. Dificuldades nas trincheiras sofridas tanto por soldados da tríplice entente quanto da tríplice aliança. Gases tóxicos que queimavam os pulmões, a implementação de várias armas modernas como o tanque de guerra e o lança-chamas, tudo brilhantemente contado com itens colecionáveis que podem ser encontrados em cada fase do jogo.

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Podemos destacar também o carinho com o público brasileiro por parte da Ubisoft localizando algumas notícias da participação de nosso exército na primeira grande guerra, além das legendas em português e tradução completa do jogo para a nossa língua.

Sem dúvidas um jogo que funciona muito bem em todos os seus aspectos. O da diversão, da educação e da sua história rica e cativante. Talvez o único ponto negativo seja o curto tempo necessário para termina-lo.

Belíssimo jogo dos criadores de Rayman e sem dúvida um belo tributo para que não nos esqueçamos dos horrores da guerra que completou 100 anos em 2014.

Nota: Nota Valiant (5,0 / 5,0)

Um comentário sobre “Resenha: Valiant Hearts

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