Resenha: Resident Evil Revelations 2

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“Yeah, I was almost a Claire sandwich!”


Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas

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Nessa edição, a Capcom resolveu fazer algo diferente, ela trouxe uma experiência episódica no acompanhamento da história. Infelizmente, devo dizer o resultado foi um jogo picotado de várias formas para ser vendido de diversas maneiras. Com apenas 4 episódios, o intervalo de lançamento entre eles foi de apenas 1 semana, um pouco diferente do que a Telltale (Walking Dead e outros) e a Square-Enix (Life is Strange) vem fazendo. Apesar da Capcom ter lançado sem atrasos, enquanto que as outras empresas mencionadas o fazem irregularmente, a verdade é que esse curto espaço de tempo acaba minando o aspecto episódico. Deixando aquela sensação de “por que a Capcom não está deixando eu jogar?” Ao final desse período, a Capcom lançou a versão física com todo o material, inclusos episódios extras (também disponíveis na compra do Season Pass), e também mais cara que a digital. Comprar tudo separadamente sai mais caro ainda.

Resident Evil Revelations 2 vem para preencher a lacuna de tempo da série principal que se passa entre o Resident Evil 5 e o 6, da mesma forma que o seu predecessor que se passou entre o quarto e o quinto. Sendo que o primeiro Revelations em 2012 foi originalmente concebido para uma plataforma portátil, era de se esperar uma experiência mais contida e não muito longa. Curiosamente, o jogo conseguiu trazer aquela chama que há muito tempo faltava na série.

Revelations 2 está estruturado em 4 capítulos, mais dois extras (um da Moira e outro da Natalia), e cada capítulo mostra a história do ponto de vista da Claire Redfield e do Barry Burton. Sendo que o capítulo sempre começa com a parte da Claire e termina com o Barry. O jogo pode ser aproveitado no modo cooperativo, porém dessa vez ele é assimétrico, pois os seus parceiros não são capazes em termos de armas. Além de que o gamer pode alternar entre um ou outro, tanto como suporte na batalha quanto para puzzles simples. Ao final de cada parte, pontos são atribuídos pelo desempenho e itens obtidos, há uma skill tree básica onde eles podem ser trocados por melhorias nos personagens. Os pontos podem também ser utilizados para desbloquear outras besteirinhas no menu principal, como roupas, filtros, arte e etc.

O acervo de armas não é muito vasto, mas kits de melhoria podem ser usados e alterar as características das armas. Há também opções como tijolos e garrafas que podem ser usados para distrair os inimigos e atordoa-los. Outras opções de ataque são as garrafas de Molotov, explosão e de fumaça. Além de que ataques furtivos são possíveis e extremamente recomendados.

Adicionalmente, o jogo também conta com o modo Raid (reminiscente do velho Mercenaries) onde o objetivo é matar os inimigos, fazer combos e aumentar cada vez mais os pontos. Como a jogabilidade é bastante boa, é muito divertido ficar por lá garantindo recordes de pontuação.

Claire A

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Durante uma festa de iniciação de membros da Terra Save (agência que tem por objetivo prevenir catástrofes biológicas), homens armados invadem, imobilizam e sequestram todos os presentes. Claire Redfield e Moira Burton (sim, filha do lendário Barry Burton) acordam em uma prisão abandonada e com uma pulseira que não conseguem retirar. Ouvindo uma misteriosa voz saindo da pulseira, elas tentam escapar e descobrir onde estão.

O gameplay das seções da Claire oferece uma experiência mais cadenciada e focada no survival horror tradicional da série. Tendo como parceira a Moira, cuja ajuda é limitada a usar uma lanterna que atordoa os inimigos e um pé-de-cabra para finaliza-los, ou para abrir portas e baús fechados.

Os cenários são bem interessantes e mostram o local onde elas estão de certa forma ainda funcionando. O experimento do novo vírus (alguém duvidava disso?) está transformando lentamente as pessoas quanto mais medo elas sentem. E como estão no estágio inicial, você encontra inimigos mais “humanos” e com um pouco de inteligência, além de alguns usarem armas, como bastões. Os puzzles, se é que podem ser chamados assim, são muito simples, e basicamente envolvem a alternância entre as duas personagens e criar maneiras para que a outra possa passar por um certo ponto. Uma chave aqui e acolá, complementam os obstáculos que elas enfrentam.

Infelizmente, a parte da Claire é bem menor do que a do Barry, sendo a parte final muito mais curta que o normal. Deixa aquele gostinho de quero mais.

Barry B

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Barry Burton, o lendário membro da STARS está de volta. O ponto de vista dele se passa 6 meses depois dos eventos da Claire e Moira, quando ele recebe um pedido de socorro de sua filha e parte para resgata-la. Ao chegar na ilha, ele se depara com Natalia, uma criança de pijama e que possui misteriosos poderes de identificar o posicionamento dos inimigos e seus pontos fracos.

De cara, percebe-se o foco da jogabilidade voltada um pouco mais para ação, visto que Barry está armado até os dentes (inclusive com a sua tradicional Magnum). Como a história se passa 6 meses depois da Claire, você encontra os antigos residentes (sem trocadilho?) em estágios avançados de mutação, gerando mais monstros no caminho de Barry e Natalia. Além de cenários alterados por muita destruição e abandono. É bastante interessante notar essa diferença. Mesmo que tudo seja meio reciclado e tenha aquela sensação de já passei por aqui, não chega a incomodar muito, há cenários novos também. Um mistério são os baús que só a Natalia consegue abrir. Pelo menos a Moira tinha um pé-de-cabra. Vai saber.

Um ponto fraquíssimo para a jornada de Barry são os puzzles de caixa. Simplesmente não dá. São insuportáveis.

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Percebe-se que o jogo brinca muito com o lore da série. Têm-se várias referências a piadas internas, diálogos ruins do passado, cenários antigos (a parte final do Barry é uma nostalgia). Há um misto de influências antigas e novas no gameplay, atmosfera e outros pequenos detalhes. A história no final das contas, não é boa, mas qual história de Resident Evil é boa mesmo? Mas isso não quer dizer que ela não seja divertida em seus absurdos e cada vez mais ela vai se complicando de tal forma que às vezes não dá para acreditar. Mas o lance é sentar, relaxar e se divertir, e não achar que está lendo Neil Gaiman. Até mesmo a vilã é uma referência ao passado, mas sua motivação não é das melhores.

A estrutura do jogo me lembrou muito o Resident Evil 2, que é um dos meus favoritos, além de, claro, ter a Claire Redfield que é uma das minhas favoritas. A faceta episódica que a Capcom montou pode ser questionável, mas até que funcionou. O jogo não é muito longo, e jogar separadamente cada parte dá a sensação de que ele é mais curto do que realmente é. Existe um valor em jogar novamente, para pegar novos itens, pontos e melhorias. Os gráficos são relativamente mais simples, o escopo do jogo não é grandioso, e percebe-se isso pela pouca variedade de cenários. Mas mesmo assim são legais, só não possui os muitos detalhes que um Last of Us da vida tem. Os personagens têm mais detalhes que os monstros, tanto na movimentação quanto na aparência. Mas os monstros são poucos em variedade e bastante óbvios para liquida-los.

Mais do que uma revelação eu diria que esta versão é uma reminiscência boa de como a franquia possui ótimos pontos fortes, que podem ser melhores aproveitados na série numerada normal. Recomendado para fãs. Não fãs, podem gostar de jogar, mas ficarão perdidos na história maluca.

Nota: REvelacao2Nota (3,0 / 5,0)

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