Resenha: Uncharted 4: A Thief’s End

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“I am a Man of Fortune, and I must seek my Fortune”


Ele está de volta, e pela última vez

Escrevo esta resenha com um misto de tristeza e felicidade. Conforme mencionado na resenha de Uncharted: Nathan Drake Collection, sou fã confesso da série da Naughty Dog.

A saga teve início no longínquo ano de 2007 (parece que foi ontem!), com o lançamento de Uncharted: Drake’s Fortune para PS3. Desde então se passaram 9 anos de muitas aventuras acompanhando os passos de Nathan Drake. As experiências são memoráveis e incontáveis: dentre elas, investigamos um misterioso submarino alemão perdido no meio da selva amazônica, despencamos de um trem em meio a uma nevasca no Himalaia e saltamos de um avião em queda, só para ficarmos perdidos no imenso deserto de Rub’ al Khali na Península Arábica.

Lançado em Maio de 2016, Uncharted 4: A Thief’s End conta a derradeira história daquele que é, provavelmente, o principal protagonista de games de ação dessas últimas gerações. Alguns cabelos brancos mostram que os anos se passaram para Nathan – e para nós também. E como toda história deve ter um fim, resta a nós gamers honrar o caçador de tesouros da melhor forma possível.

Vamos lá!

uncharted41“Muita ação te espera no quarto jogo da franquia”

 Os tesouros escondidos de Henry Avery

A história de Uncharted 4 começa mostrando que Nathan Drake, depois dos eventos contados em Uncharted 3: Drake’s Deception, decidiu pendurar o chapéu e o chicote (ops!) e abandonar a vida de caçador de tesouros.

Entretanto, sua monótona rotina é interrompida quando descobre que seu irmão, Samuel Drake, supostamente morto, está na verdade vivinho da silva. Sam conta que está em busca dos perdidos tesouros do Pirata Henry Avery e que sua vida depende de encontrá-los. Uma oferta irrecusável para Nathan – e para nós, é claro.

O magnata Rafe Adler e a mercenária Nadine Adler posam como os antagonistas deste episódio da série. Ainda que não possuam a obsessão de Zoran Lazarevic (de Uncharted 2) e a vilania de Katherine Marlowe (de Uncharted 3), eles são bem construídos e fazem o suficiente para manter Nathan e seu irmão na ponta dos cascos.

Como não poderia ser diferente, Emily Rose e Richard McGonagle também retornam nos papéis de Elena Fisher e Victor Sullivan, outros dois personagens fantásticos que não poderiam faltar no capítulo final da saga. O carisma do grupo é mais robusto até do que a própria história, e um gamer como a gente avança rapidamente no jogo não só para saber como a aventura termina, mas também para saber qual será o final para os esses personagens que aprendemos a amar.

uncharted44“A última aventura do casal mais cativante da história dos games”

 Mais do mesmo?

Como em time que está ganhando não se mexe, a Naughty Dog manteve Nathan Drake e sua seleção no topo do campeonato. O jogo segue a linha cover-shooter desde o primeiro da série, então não seria agora que eles iriam mudar.

Entretanto, como os produtores sabem que gamers são exigentes e não se contentam com mais do mesmo, eles fizeram questão de colocar algumas coisinhas para quebrar o nosso cotidiano aventureiro, como um grappling hook (um gancho que Nate utiliza para auxílio em suas escaladas), e uma mecânica de deslizamento que dá ainda mais emoção nas cenas de ação.

Além disso, o combate do jogo também foi melhorado, com os segmentos passíveis de stealth (movimentação furtiva) sofrendo mudanças severas. Enquanto nos jogos anteriores os inimigos sempre sabiam onde o player estava, em Uncharted 4: A Thief’s End é possível se esconder, fazendo com que seus adversários fiquem procurando por você pelo cenário – estes, inclusive, são consideravelmente maiores.

A Naughty Dog também colocou veículos no jogo, fazendo que em alguns segmentos – como na fase da África – você sinta que está jogando um game de mundo aberto. Nathan fica livre para explorar, matar inimigos e procurar por pequenos tesouros (os itens colecionáveis do game), apesar do objetivo final ser sempre bem claro.

Em paralelo, os gráficos abusam do motor gráfico do PS4 e estão estupendos. A captura de movimentos continua com o primor de antes e o som, como sempre, um espetáculo à parte, ditando o ritmo da aventura de Drake.

uncharted42“O maravilhoso ‘mundo aberto’ de Uncharted 4”

Tiroteio online

O consagrado multiplayer inaugurado no segundo jogo da série, Uncharted 2: Among Thieves, retorna uma vez mais com força total. Mais dinâmico, com vários skins de personagem e muitas opções de armas, é um prato cheio para os gamers fãs da série.

A Naughty Dog fez questão de inovar também neste modo, dando a opção do jogador lançar ataques místicos e invocar ajudantes (desde brutamontes até médicos) para auxiliar na batalha. Após a atualização do jogo em junho de 2016, foi inserido também um sistema de level, bastante solicitado desde o início do lançamento do game.

uncharted43“Nada melhor do que zoar os coleguinhas no multiplayer…”

O fim de um herói

Para os fãs da série, o jogo é imperdível. Para os que odeiam a série, também. Ainda que Uncharted 4: A Thief’s End não tenha o ritmo frenético e cenas de ação tão memoráveis quanto a de seus antecessores, é um jogo que entra no hall dos grandes jogos de videogames já feitos.

É louvável também a coragem da Naughty Dog em terminar uma série de tanto sucesso, dando um ponto final na história do personagem e não colocando margem para a criação de mais um episódio. O contrário faria com que a série se tornasse cada vez mais arrastada e sem propósito (Ubisoft e Assassin’s Creed, estou olhando para vocês). A Naughty Dog encerra a carreira de Nathan Drake como deveria ser, com uma grande vitória no mundo dos games. Um final perfeito para um caçador de tesouros consagrado.

E para os gamers que não caçam tesouros, mas sim troféus, não há como não se emocionar ao receber a última platina da saga Uncharted, chamada “One Last Time”.

Após encerrado este ciclo de aventuras, fica a expectativa para a criação de um novo jogo de ação da Naughty Dog. Seria ela capaz de superar o que parece ser insuperável? Aguardemos!

Nota: uncharted4nota (5,0/5,0)

De Graça? Até jogo bom! Edição Agosto 2016

Foram anunciados os jogos “de graça” do mês de agosto de 2016 para os serviços online da Microsoft e da Sony. Portanto, vamos a eles:

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Microsoft vem neste mês com um ótimo anúncio e lembrando que os donos de Xbox One terão acesso aos 4 jogos abaixo, sendo os 2 últimos como parte da retrocompatibilidade.

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Warriors Orochi 3 é um daqules clássicos hack n’ slash de multidão que no final das contas ainda tem o seu público. Assim como o WWE 2k16 que tem seu público cativo.

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Beyond Good & Evil HD é uma daquelas gemas que ninguém acredita que veio da Ubisoft. Um ótimo jogo que passou embaixo dos radares dos gamers. Não deixem de conferir essa pérola em HD!

Spelunky é um jogo roguelike de exploração (me lembra muito o clássico Lode Runner) que é bastante defendido pelo nosso mestre platinador Rodrigo Estevão.

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A Sony continua com a sua estratégia de jogos aleatórios. Vamos conferir.

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Tricky Towers é um lançamento que a Sony já disponibiliza de graça logo de cara (está virando tendência, pelo visto). É um puzzle baseado em física com multiplayer local e online para dois a quatro jogadores.Basicamente você corre para construir sua torre enquanto lança feitiços para atrapalhar seus oponentes.

Rebel Galaxy é um RPG de combate espacial, onde você controla um enorme destroyer e constrói sua reputação através de sua classe: seja como mercenário ou pirata. Em um universo gerado proceduralmente, não há dois sistemas estelares iguais e sempre existe algo novo para descobrir. Pela descrição, parece um No Man’s Sky dos pobres.

Além desses destaques, temos Yakuza 5 e Retro/Grade para PS3 e Patapon 3 mais Ultratron para PSVita.

Aliás, não deixem de conferir a nossa discussão acerca dos serviços e do futuro dos jogos no nosso podcast Games Como Serviço! Vão lá conferir e até o próximo mês!

GCG Podcast #021 – Games como serviço

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Arte da Vitrine: Rodrigo Estevão
Edição: Diogo Moura

Olá Amigos e Amigas Gamers! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Gamer Como a Gente! Hoje iremos abordar um tema polêmico da indústria gamer atual: a tendência dos jogos deixarem de ser um produto e se tornarem um serviço. Para isso trouxemos um convidado especial lá do Podcast Los Chicos, Bruno Audi, o Esteban!

Para onde vão os colecionadores? Como vender um jogo já que você não é mais dono dele? Onde está a vantagem para os gamers? Um futuro estilo Netflix dos games é o ideal? Confiram estas e outras discussões aqui neste episódio.

Aproveitem e fiquem com ótimo artigo de Rodrigo Estevão sobre o estado atual da PSN Plus.

Diego Ferreira também escreveu sobre o tema aqui nesse artigo:

Depois de apertarem o play, não deixem de comentar com as suas opiniões sobre este tema! E sejam gamers como a gente!

De graça? Até jogo bom! Edição Julho 2016

Foram anunciados os jogos “de graça” do mês de julho de 2016 para os serviços online da Microsoft e da Sony. Portanto, vamos a eles:

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Microsoft vem neste mês com um ótimo anúncio, provavelmente para compensar os gamers que desfrutaram do hit “Goat Simulator” no mês passado. Lembrando que os donos de Xbox One terão acesso aos 4 jogos abaixo, sendo os 2 últimos como parte da retrocompatibilidade.

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The Banner Saga 2 – Após sucesso no primeiro jogo da série, a sequência foi lançada em Abril de 2016 para PC, e faz sua estréia para os consoles agora em Julho. É o Final Fantasy Tactics com temática viking! Para os fãs do estilo RPG Tático, é um prato cheio! Cliquem aqui para o trailer.  O jogo está disponível para download durante todo mês de Julho.

Tumblestone – Minha primeira impressão ao ver a primeira parte do trailer foi fantástica. Pensei que fosse um brutal jogo de luta underground (confiram aqui). Infelizmente, ao terminar de assistir ao vídeo, descobri que é só mais um cover de Tetris… O jogo estará disponível do dia 16 de Julho a 15 de Agosto.

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Tom Clancy’s Rainbow Six Vegas 2 –  O sétimo jogo da série Rainbow Six, lançado incialmente no longínquo ano de 2007. Tradicional jogo de tiro de primeira pessoa. Disponível de 1 a 15 de Julho.

Tron Evolution –  Jogo de aventura/ação em terceira pessoa baseado no filme Tron: Legacy. O jogo preenche o gap temporal entre o filme e o jogo Tron: Betrayal, lançado para Wii e Nintendo DS. Segue a linha de praticamente todos os jogos de videogame baseados em filme, então vocês já sabem o que esperar. Disponível de 16 a 31 de Julho.

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A Sony tenta manter o nível do mês passado. Muitos gamers estavam esperando The Evil Within, que foi lançado de graça na PSN Plus do Japão, mas aparentemente o pessoal do ocidente tinha outros planos, conforme podemos ver:

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Saints Row Gat Out of Hell – O Grand Theft Auto avacalhado está de volta! Nesta versão do jogo o gamer terá de ir, literalmente, ao inferno. Confiram o trailer clicando aqui.

Furi – Sinceramente, uma incógnita para mim. O jogo da Game Bakers, te coloca em uma série de batalhas 1 x 1 contra diversos chefes em arenas cyberpunks. O trailer pode ser visto aqui.

Além disso, a Sony ainda trás de graça o excelente Fat Princess e o não tão excelente Call of Juarez: Bound in Blood (para PS3), bem como Oreshika: Tainted Bloodlines e Prince of Persia: Revelation (para PSVita).

Nos vemos no próximo mês! Até lá!

Resenha: Bloodborne

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A night of curses, a night to remember!


DARK SOULS NA ERA VITORIANA

O Playstation 4 foi lançado em 2013. Como gamer fã de carteirinha da série “Souls” e do diretor Hideataka Miyazaki, uma das minhas grandes curiosidades com relação ao sistema era como a série migraria para a nova geração e que tipo de perigos eu iria enfrentar.

Bloodborne começou a ser desenvolvido ainda em 2012 sob o misterioso nome Project Beast. A idéia era não só levar o já consagrado estilo de jogo para a nova plataforma, mas também criar uma nova IP (intellectual property, propriedade intelectual) exclusiva para o Playstation 4. Com isso, a Sony poderia arrebatar não só os fãs de longa data como eu, mas também cativar novas ovelhinhas gamers dispostas a morrer milhares de vezes e a jogar seus controles na parede.

Inspirado no trabalho literário de H.P. Lovecraft e, por incrível que pareça, no Manga/Anime Berserk, finalmente em Março de 2015 a From Software lançou o Dark-Souls-na-era-Vitoriana, como diz meu amigo Diego Ferreira.

E então? O que podemos esperar de Bloodborne?

blood2“História tenebrosa? Sim! Gráficos estupendos? Sim! Gameplay viciante? Sim! Milhões de mortes? Siiiiiim!”

NASCIDO DO SANGUE

Ao contrário dos outros games da série Souls onde a passagem de tempo não é claramente determinada, um ponto curioso de Bloodborne é que toda a história do jogo ocorre durante uma só noite, a “Noite da Caçada” – o que torna o jogo muito mais sombrio devido à total ausência de luz solar. Apesar da escuridão, o apreço dos desenvolvedores na parte gráfica é visível, tornando os cenários bem imersivos.

O jogador assume o papel do “Caçador” (the Hunter, no original), que acorda misteriosamente em Yharnam, uma gótica cidade infestada por uma praga sanguínea. Caberá a você revelar os segredos dos Sangues-Pálidos (Palebloods, no original), caçar infectadas feras monstruosas e desvendar os segredos da misteriosa praga para, enfim, escapar desta noite de pesadelos e voltar ao mundo real, o Waking World.

A história, seguindo os parâmetros clássicos da From Software, não é contada de forma usual, fazendo com que o gamer tenha que conversar com NPCs e ler a descrição de itens espalhados pelo jogo para descobrir o que realmente está acontecendo em Yharnam.

blood3“Os chefes do jogo são realmente grandes e monstruosos, fugindo um pouco da temática apresentada em Dark Souls 2, jogo predecessor da From Software”

 UM EXERCÍCIO DE ESQUECIMENTO PARA SUA MEMÓRIA MUSCULAR

Por mais que estrutura de combate e gameplay de Bloodborne siga a linha dos outros jogos do Miyazaki, é impressionante como o game te força a esquecer tudo que você aprendeu até então. A configuração de alguns botões é diferente – muitas vezes utilizei itens de cura quando queria apenas mudar minha arma – e isso é só a ponta do iceberg.

A primeira mudança notável de gameplay é a velocidade: todos os combates são mais rápidos e dinâmicos, e o número de vezes que você enfrenta múltiplos oponentes ao mesmo tempo é significantemente maior do que nos antepassados Demon’s e Dark Souls.

Bloodborne também recompensa o gamer que possui um estilo de jogo mais agressivo, visto que você consegue recuperar parte da energia perdida pelo seu personagem cada vez que você consegue atacar seu adversário com sucesso. A prova dessa mudança de estrutura de “combate hostil” é que o jogo não possui escudo, ao contrário da imensa variedade que podia ser encontrada nos outros jogos da From Software.

Há também uma mudança significativa nos atributos do personagem (em Bloodborne, existem menos deles para evoluir) e também nas armas do jogo, que merecem uma menção especial. Além da inclusão de pistolas, algo inédito nos jogos de Miyazaki, todas as armas principais possuem duas formas. Agora elas são chamadas de “Armas de Truque” e geralmente contam com uma versão mais rápida e de menor alcance e outra mais poderosa, que possui ataques mais lentos. O efeito não é meramente estético e influencia diretamente a jogabilidade e em como você enfrenta os diversos inimigos do jogo.

blood4“Qualquer semelhança com a Espadium Laser do Jaspion é mera coincidência”

 A DIFICULDADE, O MULTIPLAYER E AS MASMORRAS DO CÁLICE

Penso que a From Software resolveu fazer o jogo um pouco mais acessível aos gamers recém-chegados à série. Ao contrário do que estávamos acostumados a ver, em Bloodborne os picos de dificuldade são poucos, e depois de passada da curva de aprendizado das primeiras fases do jogo, o game corre rápido até o final – bem mais rápido do que eu gostaria.

Parte dessa facilidade apresentada é também vista no fato de Bloodborne infelizmente não seguir a estrutura de multiplayer dos games anteriores. A tensão de ter seu game invadido a qualquer momento por um outro player não existe mais. As invasões só ocorrem em determinadas partes do jogo onde existe um NPC que fica tocando um sino.

Percebendo isso, creio que a alternativa de Miyazaki para dar aos gamers velhos de guerra a boa e velha dificuldade da série souls, foi a inclusão das Masmorras do Cálice – dungeons opcionais que podem ser acessadas durante o jogo através de rituais realizados pelo seu personagem.

Essas masmorras, ruínas subterrâneas sob a cidade de Yharnam, são grandes, com muitas armadilhas e possuem inimigos que inclusive não aparecem na história principal. Lá os chefes são consideravelmente mais difíceis e, dependendo dos itens utilizados nos rituais para a criação dos calabouços, a dificuldade pode aumentar consideravelmente, bem como as suas recompensas.

blood5“Caso você esteja querendo encarar as masmorras, se prepare para passar maus bocados com o Watchdog of the Old Lords no Defiled Chalice”

ESTAMOS SEDENTOS POR MAIS

O sentimento de frustração a cada morte em Bloodborne caminha junto com a satisfação de cada chefe vencido e desafio conquistado. E por mais que seu coração esteja sempre pulando pela boca, e que um sentimento de fúria intensa te invada a cada morte, isso só prova uma coisa: existe um masoquista dentro de cada um de nós. Você simplesmente não vai conseguir parar de jogar até terminar.

Estamos no aguardo da próxima pérola do mestre Hideataka Miyazaki!

Nota: bloodnota   ( 4,0 de 5,0 )