GCG Podcast #037: Life is Strange

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Arte da vitrine: Rodrigo Estevão
Edição: Diego Ferreira
Participantes: Diego Ferreira / Rodrigo Estevão / Fernando Henrique
Trilha Sonora: OST de Life is Strange

Olá Amigos e Amigas Gamers! Sejam bem-vindos a mais um podcast do Gamer Como a Gente! Em tempos de E3, resolvemos falar de Life is Strange, o jogo que está de graça na PSN Plus e que foi anunciada uma prequel, falando sobre duas personagens importantes da história. Portanto, nada mais justo do que falarmos sobre esse petardo! Mas não fiquem tristes que semana que vem, teremos o cast da E3 (na verdade, precisamos desse tempo para podermos ver os vídeos e tecer nossos comentários dos acontecimentos).

Apertem o play e vamos lá!

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Resenha: Gone Home (Console Edition)

GHomeLogo“De perto, todo ser humano é interessante.”


Devo confessar que cheguei um pouco tarde no Gone Home. Originalmente lançado em 2013 somente para PC pelo pequeno estúdio Fullbright, o jogo foi laureado tanto pela mídia como pelos jogadores. E três anos depois (incluindo um cancelamento) sai a versão de console do jogo. E que numa ótima jogada pela Sony, o incluiu no seu pacote mensal de jogos de graça do mês de junho.

GHome1“Família modelo”

Gone Home conta a pequena história de Kaitlin, filha mais velha dos Greenbriar, que retorna da Europa após uma longa viagem. O jogo se passa em 1995, então é bastante interessante notar todas as peculiaridades da época sendo representadas. Ao chegar em casa, Kaitlin se depara com uma casa vazia e um aviso na porta, escrito pela sua irmã, Sam, implorando para que o seu paradeiro não seja investigado.

O jogo se enquadra nos famosos “walking simulators”, ou seja exploração não linear em primeira pessoa. A minha experiência com esse tipo de jogo já tinha sido ruim com Everybody’s Gone To The Rapture e muito boa com Firewatch. Fora que já tinha ouvido boas coisas sobre ele e que era um dos bons exemplos, então estava ansioso para começar.

Você interage com os diversos objetos no cenário em busca de pistas do paradeiro da sua irmã. Até aí, tudo muito simples. E é mesmo. E não tem dificuldade e você não vai ficar preso em nenhuma parte do jogo. O ponto focal, no entanto, é a história. Mas não é uma história épica, como já estamos acostumados, mas uma jornada intimista pela mente de uma pessoa. E isso é bem legal. Muitos podem argumentar de que é algo sem graça, de que dá para matar o “plot twist” logo de cara. Contudo, digo que não é. É muito interessante ir descobrindo os pequenos detalhes que as pessoas deixam nos seus rastros e o que isso diz sobre os seus momentos e as suas personalidades. É quase uma experiência voyeur.

Revelar mais sobre o jogo pode estragar a sua experiência de descoberta (e por isso não coloquei mais fotos na resenha). E como se trata de um jogo curtíssimo, somente há uma primeira vez. Jogar novamente não tem esse impacto todo, visto que você já sabe onde está tudo. Fora que existe um troféu para terminar o jogo em 1 minuto! 1 minuto!

Não deixem de conferir Gone Home.

Nota: GHomeNota (4,0 / 5,0)

Resenha: Grim Fandango Remastered

grim fandango logo

Uma grande aventura na Terra dos Mortos


Uma jornada ao passado

Nascido nos anos 80, tive o prazer de experimentar uma série de games de aventura point&click nos anos 90. Fui parte de uma gangue de motoqueiros em Full Throttle, viajei para o espaço em The Dig, cacei tesouros em Monkey Island e muito mais. A quantidade de jogos que saíam neste estilo na dita década era impressionante – e a qualidade da grande maioria não deixava a desejar.

Criado por Tim Schafer e deselvolvido pela Lucasarts em 1998, Grim Fandango foi um hit no seu ano de lançamento. Infelizmente, como à época a minha pré-histórica placa de vídeo não era capaz de reproduzir os gráficos fantásticos desta sensacional obra de arte, minha vontade de mergulhar a fundo no jogo foi reduzida a ocasionais jogatinas na casa dos amiguinhos com mais poderio financeiro.

Entretanto, eis que em 2015 o universo conspirou para que o jogo fosse relançado remasterizado para as PC, PS4 e PSVita. Como um gamer que espera sempre alcança, caí dentro desta aventura com pitadas fortes de nostalgia.

grim fandango 1“Fantasia de Halloween? Negativo”

 Um emprego nada comum

Em Grim Fandango você controla Manny Calavera, um agente de viagens. A diferença de Manny para um agente de viagens normal é muito simples: Manny já morreu. Vestindo um capuz preto e carregando uma foice, Manny é responsável por providenciar o melhor pacote de viagens possível para que as almas penadas atravessem a Terra dos Mortos.

Com profundas raízes na arte asteca e com frequentes referencias visuais ao México e ao feriado do Dia de Los Muertos, Grim Fandango se desenrola facilmente aos olhos dos gamers que procuram uma boa história. O que parece simples aos poucos se torna complexo quando você tem que ajudar Manny a desvendar uma intrincada teia de corrupção do mundo dos mortos e salvar a bela – e também já morta – Mercedes Colomar.

O humor cru de Tim Schafer é rapidamente reconhecido no roteiro do game. Todos os personagens são muito bem elaborados e com frequência você irá perceber que está com um sorriso no rosto enquanto seleciona as diversas opções de diálogo. Mas não se engane: Grim Fandango é um jogo difícil. Os puzzles não são triviais assim como muitos jogos contemporâneos a ele.

grim fandango 3“Manny batendo um papo com Glottis, provavelmente o melhor personagem do jogo”

Sabe aquele sorriso estampado no seu rosto? Rapidinho ele vai embora.

Devo admitir que minha a expectativa ao jogar a versão remasterizada de Grim Fandango estava lá no alto. Talvez por isso tenha me decepcionado tanto.

Ao contrário do trabalho fantástico de remasterização realizado pela Bluepoint na trilogia de Uncharted, a remasterização da Double Fine me pareceu quase nula. A única mudança relevante é a inclusão de um mais moderno esquema no controle do personagem, em substituição ao clássico “controle tanque-de-guerra” (este ainda disponível nas opções de jogo para os saudosistas de plantão).

De resto, nada. Os gráficos estão rigorosamente iguais ao da versão original de 1998, apenas um retoque aqui ou outro acolá. Pior ainda: por vezes eu apertava o botão [SELECT] do PSVita para jogar na versão original, pois a remasterização estava muito escura. Ou seja, se você compra a versão remasterizada mas opta por jogar a original, é porque algo está errado…

Ainda sobre a parte gráfica, a tela do jogo ainda é na antiga razão 4:3, obrigando o player a abandonar o moderno widescreen para jogar confinado num pequeno quadrado. Você tem a opção de ajustar a imagem, mas ele apenas “estica” a tela original, deixando os personagens deformados. Lamentável.

Para piorar ainda mais, o cross-save entre o PSVita e o PS4 não funciona bem e gera mais dor de cabeça do que a praticidade divulgada. No caso do PSVita a situação ficou ainda mais complicada: o progresso do jogo não salva no sistema, mas sim de forma automática na nuvem da PSN, o que me impedia de acessá-lo caso eu não estivesse conectado em uma rede Wi-Fi.

Outro ponto fraco é a ausência de um “auto-save” – problema esse que fica ainda pior devido aos incontáveis bugs e crashes da versão remasterizada. Diversas vezes o jogo desligou sozinho, perdendo todo meu progresso e me obrigando a recomeçar do último save – que, obviamente, tinha ocorrido no mínimo uma hora antes.

grim fandango 2“Versão Original x Versão Remasterizada: Tão igual que parece jogo dos 7 erros”

Vivo ou Morto?

A conclusão é bastante simples. Se eu estivesse resenhando o jogo original em 1998, Grim Fandango provavelmente levaria uma nota máxima – ou talvez muito próxima desta. A história é espetacular e os personagens são memoráveis. Bom humor não envelhece. Além disso, o estilo de jogo quase esquecido é um prato cheio para gamers saudosistas como eu, mesmo com o ritmo sendo mais lento do que estamos acostumados nos games de hoje em dia.

Entretanto, fui buscar na nova versão de Grim Fandango um “algo mais” que não consegui encontrar. Muito pelo contrário, a remasterização é tão fraca e cheia de bugs que conseguiram transformar o bom de 1998 no ruim de 2015. O que era prazeroso antes no passado deixa hoje um gosto amargo na garganta.

Por vezes enquanto jogava no PSVita fiquei pensando que a Double Fine era tão saudosista quanto eu – porém eles foram mais além: ao invés de remasterizar somente o jogo, remasterizaram também o TILT dos jogos dos anos 90.

Caso você queira acompanhar as fantásticas aventuras de Manny Calavera, fica a dica: melhor voltar ao jogo original e fugir desta nova versão. Caso contrário, fique preparado para dar um level up na sua paciência.

Nota: grimfandangonota (2,0/5,0)

Resenha: Broken Age

Broken Age“Like a Bucket of fingers”
“Like an alligator wrestling a pretzel”
“Like a mathematical formula”
“Like a lazy pole vaulter”


“Essa galera que fez The Cave não tem nenhum jogo novo, não?” Esta pergunta foi repetida algumas vezes em momentos de tédio eletrônico por minha ilustre namorada, a quem eu apresentei o videogame há seis anos atrás. Todas as vezes que esta dúvida surgia, procurávamos tanto no site da Double Fine quanto na PS Store. O trailer do Broken Age nos chamou atenção algumas vezes, mas, até pouco tempo, nenhum de nós tinha PS4. Recentemente este problema foi sanado do meu lado, e comprei o Broken Age.

Pra ver se valia a pena, comecei a jogar antes dela. Pouca coisa, só até zerar. Calma, não pense em mim como um viciado egoísta, houve uma boa razão: aguentar o jogo todo não é um trabalho para quem só joga há seis anos. É preciso maturidade e paciência para vencer certas partes desta saga. Vella e Shay precisavam da minha ajuda para vencer suas tribulações. Por muito pouco não os deixei na mão…

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“Por pouco não deixei os dois dormindo”

O jogo, ao mais famoso estilo Tim Schafer, é point and click. Logo no início notei algo muito promissor: o cursor alterna entre todos os objetos interativos do cenário quando se move o analógico direito. Fiquei feliz, pois de cara soube que não haveria aquele momento em que ficaria empacado varrendo cada pixel da tela para descobrir o que fazer, ao mais famoso estilo Tim Schafer. Os puzzles seriam um desafio mental, de pura lógica e método, causa e consequência. Não foi bem assim. Divido os puzzzles deste jogo em três grupos: os óbvios, os impossíveis, e o maldito puzzle do nó.

Muitos dos puzzles são tentativa e erro e/ou não fazem muito sentido. No lugar de um epifânico “Ah, então é assim!”, eu me peguei na maioria das vezes em um “Sério mesmo?”.

tube“Hmmmm, qual dessas seis possibilidades faz alguma coisa que eu não imagino? Vamos tentar todas…”

Em uma ocasião, é necessário esperar alguns minutos sem fazer nada para se obter um item. O puzzle final do jogo também não faz nenhum sentido, basicamente a solução é agir de forma burra. E o puzzle do nó… Ah, que fúria. Uma cólera digna de épicos gregos. Nele o jogador tem que, como já deve ter ficado implícito, desatar um nó cego. Sem muitos spoilers, é necessário achar um especialista em nós, DESCREVER o nó para ele e voltar com instruções passo a passo. A cada erro o nó muda, e é necessário repetir o processo. Ah, e não raramente ocorre um bug em que a opção certa não está disponível.

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“Nenhuma dessas, pra mim parece um game designer que não foi amado pela mãe”

Então caro leitor, você deve estar se perguntando por que eu, uma pessoa que não foi paga para escrever esta resenha, jogou Broken Age até o final? Muito simples: o roteiro do jogo é um dos melhores que eu vejo há um tempo. O tema central gira em torno de tradição e religião, e o porque de termos a tendência de não questionar a primeira e buscar a segunda. O jogo acompanha a vida de Vella e Shay, dois jovens com seus problemas. Vella está se preparando para ser oferecida como sacrifício a um monstro que visita sua vila a cada 14 anos. Perguntando a seus familiares por que não lutar contra ele, ela sempre ouve “Porque sempre fizemos as coisas assim”. Frase emblemática e verossímil, reforçada ao longo do jogo em várias situações. Já Shay vive em uma nave espacial sob os cuidados de uma mãe-computador superprotetora. Sua missão e destino são um mistério que seu tédio e sua curiosidade adolescente se põem a resolver.

hipster“Curtis já usava camisa xadrez muito antes de virar moda.”

Estes temas, embora sérios e relevantes, são abordados com um humor leve e que muitas vezes me fez rir alto sozinho em casa. O jogo tem personagens memoráveis e surpreendentemente complexos, com qualidades e defeitos. Desde o Guru com algo a esconder até seu súdito que leva a seita muito a sério, passando pelo lenhador com medo de árvores. Um destaque especial para as duas sacerdotisas cegas, cujo arco de narrativa é simplesmente perfeito.

Riddle“Repare na consternação de Vella ao perceber que estava frente a frente com personagens muito mais interessantes que ela.”

O jogo é dividido em dois atos, e me capturou de verdade no final do primeiro. Estava tão de saco cheio de seus puzzles que apelei para um walkthrough só para adiantar a história e chegar logo no final. Se você é como eu e valoriza uma boa história em um jogo, medite, tome um chá de camomila e encare Broken Age. Se paciência, ou masoquismo não são seu forte, pelo menos veja um walkthrough.

Nota: notaBA (2,5 / 5,0)

Resenha: Soul Gambler

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Aposte a sua alma e controle a realidade


O MITO DE FAUSTO

Escrito e publicado em 1808 por Johann Wolfgang Goethe, o poema “Fausto, uma tragédia” é considerado umas das muitas obras primas da literatura alemã. Os mais de doze mil versos contam a história de Fausto, um homem que fez um pacto com o Demônio para preservar sua juventude.

Lançado em 2014 para PC pela desenvolvedora indie brasileira Gamestorming, o jogo Soul Gambler reconta a história escrita por Goethe de uma maneira inteligente e dinâmica, colocando o gamer na pele de um Fausto reinventado para os dias de hoje. Logo no início do jogo, ao sair do trabalho, o player esbarra com uma velha em um ponto de ônibus e recebe uma proposta no mínimo tentadora: vender parte da alma para ter todos os seus desejos realizados!

Prepare-se para embarcar em uma perturbadora jornada, apostando parte da sua vida para revelar uma nova e obscura realidade à sua volta, mantendo viva uma mitologia que nasceu há mais de 200 anos atrás.

soulgambler1“Beleza, Fausto! Pode parar! Já entendi porque você está disposto a vender tua alma para mudar a realidade…”

AVENTURAS FANTÁSTICAS?

Enquanto jogava Soul Gambler não pude deixar de lembrar das Aventuras Fantásticas, série de livros role-playing que eram uma febre no Brasil nos anos 80 e 90. Escritas por Steve Jackson e Ian Livingstone, as obras primas transformavam você no verdadeiro protagonista da história enquanto lia: a cada parágrafo, uma escolha diferente devia ser feita para avançar a sua aventura.

O gameplay do jogo da Gamestorming é muito semelhante aos livros citados acima, e ao mesmo tempo bem tranquilo e intuitivo. O enredo se desenvolve como uma história em quadrinhos interativa: a cada quadro uma escolha deve ser tomada – e cada escolha impactará em como a jornada de Fausto irá se desenrolar.

Além disso, logo em um dos primeiros quadros, você poderá distribuir pontos entre os atributos do personagem – saúde, manipulação, inteligência e carisma. Esses atributos terão fortes consequências diretas no desenrolar da trama. Dependendo da forma como o seu Fausto for construído, você terá acesso a escolhas únicas e será impactado de formas diferentes pelos fatos relevantes que ocorrem durante o jogo.

soulgambler2“Não contavam com minha astúcia!”

DOU METADE DA MINHA ALMA POR MAIS TEMPO DE JOGO

A história do jogo é bem instigante e faz com que o gamer avance rapidamente pelos quadrinhos para ver o que vai acontecer. E infelizmente é aí que mora o ponto fraco do jogo: ele é muito curto! Em um pouco mais de uma hora você conseguirá percorrer a aventura de Fausto de cabo a rabo. Fica o recado para a Gamestorming: queremos mais!

De qualquer forma, o jogo é tão convidativo que rapidamente você estará iniciando outro playthrough, escolhendo diferentes atributos e tomando outras escolhas para ver os incontáveis caminhos que Fausto pode percorrer.

soulgambler3“E esteja preparado para receber conselhos dignos de Obi Wan Kenobi”

E COMO SE NÃO BASTASSE…

No final das contas, ainda tem outro belo motivo que faz o jogo ser ainda mais convidativo e que compensa o gameplay curto: o preço! Para você que estava se preparando para bancar o Fausto e vender parte da sua alma para poder comprar o jogo, saiba que não vai precisar chegar a tanto. Na loja Splitplay o jogo está à venda por míseros R$ 6,29! E para aqueles que forem mais rápidos, atualmente também está rolando um super desconto de 50% – então o jogo acaba saindo por R$ 3,14. Um preço quase inacreditável para os dias de hoje.

Com cenários muito bem desenhados, roteiro cativante completamente em português e gameplay de fácil acesso até mesmo para aqueles que não estão acostumados com videogame, Soul Gambler mostra que você não precisa ter um orçamento de blockbuster para poder brilhar no cenário gamer. As incontáveis escolhas de Fausto e os diversos finais de sua aventura vão ficar em sua mente por algum tempo, mesmo enquanto você não estiver jogando.

Afinal, quem nunca pensou em alterar a realidade ao seu bel prazer?

Nota:  soulgamblernota  (4,0 / 5,0)