Artigo: Uma análise crítica do momento da PSN Plus

psnanalise logo

A Playstation Plus, ou PSN Plus para os íntimos, para quem não sabe, é um serviço pago oferecido pela SONY para seus usuários. Ao se tornar assinante, o gamer passa a receber benefícios que vão desde descontos na compra de games, passando por cloud saving, chegando até a jogos que são distribuídos de forma gratuita e podem ser jogados infinitamente enquanto durar a assinatura.

Entretanto, nos últimos meses, a SONY vem sido amplamente criticada pela suposta má qualidade dos jogos que estão sendo distribuídos gratuitamente.

Por qual motivo misterioso a SONY antes dava de graça jogos de maior investimento, mais conhecidos como “Triple A” (como Bioshock Infinite, Dishonored, Batman:Arkham City, Tomb Raider, Dead Space 3, etc) e hoje só distribuí, em sua maioria, jogos indies ou de menor apelo?

Bem, para entender isso devemos voltar um pouco no tempo para entender como tudo começou.

psnanalise1“A reclamação dos usuários poder ser vista em todos os lados, até aqui no Gamer como a Gente!”

O Início da PSN Plus

O serviço da PSN Plus começou em Junho de 2010, exclusivo para PS3. O serviço vinha para competir diretamente com a Xbox Live, da Microsoft. A diferença principal era uma só: a Live era uma necessidade quase obrigatória para os gamers adeptos ao console da Microsoft. No Xbox 360 você precisava pagar a assinatura da Live para jogar online, enquanto no PS3 as partidas de multiplayer sempre foram gratuitas. Ora, porque então você iria dar seu suado dinheiro para a SONY se ela não te dava nada em troca? Qual era o benefício?

O que me fez tornar assinante logo no início foi o cloud saving, pois meu PS3 sofria com um HD pequeno. Entretanto, a SONY tinha planos maiores para a PSN Plus: a “Instant Game Collection”, o serviço que dá “jogos de graça” para os usuários.

Entretanto, para quem não se lembra, os primeiros jogos lançados na PSN Plus não eram “Triple A”, muito pelo contrário. Nos dois primeiros anos de PSN Plus, entre 2010 e 2012, os usuários jogaram em sua grande maioria games indies de menor custo (Wipeout HD, Dead Nation, Plants vs Zombies, Shank, Trine, etc) e games velhos de 16 bits, mais especificamente jogos lançados para o finado Mega Drive mais de 15 anos antes (Sonic, Streets of Rage, Altered Beast, Comix Zone, etc).

Nesta época, a base de usuários da PSN Plus não era grande, e a SONY precisava mudar sua estratégia para virar o jogo, pois estava atrás da Microsoft.

psnanalise2“Foto do gameplay de Hamsterball, um dos grandes ‘petardos’ da Sony no início da PSN Plus”

O Full House da SONY

A SONY começou a mostrar suas cartas e a virar o jogo em Junho de 2012. Foi neste mês que foram lançados na “Instant Game Collection” os primeiros jogos reconhecidamente “Triple A”, Infamous 2 e Little Big Planet 2. Coincidentemente, ambos jogos haviam sido publicados e distribuídos antes pela (ahá!) própria SONY. Era uma estratégia que não só traria mais usuários como também mostraria às desenvolvedoras grandes o apelo da PSN Plus, e de como elas poderiam divulgar os seus jogos para uma base fixa (e pequena!) de usuários. O boca-a-boca dos gamers faria o resto.

A estratégia da SONY deu certo, e várias desenvolvedoras passaram a distribuir seus jogos na PSN Plus. Os assinantes do serviço puderam jogar “de graça”, entre Junho de 2012 e Dezembro de 2013, jogos como Borderlands 1 e 2, King of Fighters XIII, Resident Evil 5, Bioshock 2, Super Street Fighter IV, Demon’s Souls, Deus Ex Human Revolution, Battlefield 3, Hitman: Absolution, XCOM: Enemy Unknown, entre muitos outros.

Apesar de não termos os números corretos de quantos usuários assinavam a PSN Plus na época (até porque este é o tipo de informação que a SONY guarda a 4 chaves por ter sido a base de toda sua estratégia naquele momento), sabemos que a aderência dos assinantes foi aumentando consideravelmente, como pode ser visto nesta reportagem aqui de Novembro de 2013.

Um ano depois, a PSN Plus já havia se tornado um sucesso estrondoso em toda a indústria gamer. A estratégia fazia com que os competidores arrancassem os cabelos, e inclusive provocou o nascimento em Julho de 2013 da “Games with Gold” serviço semelhante da Microsoft que dá aos seus assinantes jogos de graça da mesma forma que a PSN Plus, exatamente um ano após a mudança de política da SONY (entretanto, deixemos a análise estratégica da concorrente para outro artigo em um futuro próximo).

psnanalise3“Anos Dourados da PSN Plus, impulsionando a SONY ao topo da nova geração das Console Wars”

A faca de dois gumes da SONY

Com o lançamento do PS4 no final de 2013 a estratégia da SONY mudou. Assim como a Live da Microsoft, a PSN Plus se tornava obrigatória para que os usuários do seu sistema pudessem jogar online. O efeito foi praticamente instantâneo, com mais um crescimento expressivo: em menos de um ano, em Outubro de 2014, os assinantes da PSN Plus passaram a somar 7,9 milhões de usuários, em uma base instalada de 13,5 milhões de Playstation 4 vendidos no mundo (como pode ser visto nesta reportagem aqui). A reportagem menciona também que no mínimo a metade de todos os usuários do PS4 teria acesso ao serviço da PSN Plus.

Nos últimos números divulgados pela SONY, em Janeiro de 2016, a base instalada do PS4 somava 36 milhões de usuários. Obviamente, um crescimento proporcional dos usuários da PSN Plus é o mínimo a ser esperado e acaba sendo uma conclusão lógica, apesar de não termos os números precisos por falta de divulgação da empresa.

Entenda agora a fria em que a SONY se meteu com as desenvolvedoras, meu amigo gamer:

Imagine que a SONY se aproxime da Naughty Dog, desenvolvedora de jogos, com uma oferta para a mesma divulgar seu novo lançamento, Uncharted 4, de graça da PSN Plus. Isso significaria que, no mínimo, metade de todas as pessoas que tem Playstation 4 poderiam jogar o jogo de graça e não dariam nem um centavo para a Naughty Dog. Qual seria o interesse da Naughty Dog nisso? O crescimento deixa de ser sustentável, ao contrário do que ocorria em 2012 e 2013 quando o número de usuários da PSN Plus era muito inferior ao número de donos de PS3.

Como a nova geração dos videogames ainda é relativamente jovem, as desenvolvedoras grandes só vão estar dispostas a dar seus jogos de graça quando a expectativa de venda destes jogos não for tão forte como agora. Ou talvez só o façam quando uma nova versão do mesmo jogo estiver no forno para sair (por exemplo, quando Borderlands 1 foi dado de graça na PSN Plus às vésperas do lançamento de Borderlands 2).

psnanalise4Uncharted 4 de graça da PSN Plus mês que vem, só no meu Photoshop

 A solução da SONY

Como podemos ver, a SONY ficou com um problema gigantesco em suas mãos. As grandes desenvolvedoras de jogos se refreiam em botar seus jogos de graça para não perder dinheiro, e a base de usuários da PSN Plus, agora enorme, clama por receber seus games gratuitos.

Encurralada e sem soluções, a SONY acha uma saída simples: ela vai atrás de desenvolvedoras Indies, empresas menores que estão em busca de espaço no mercado e uma base cativa de fãs, e que estão produzindo essencialmente jogos multiplayers, que necessitam de uma larga massa de gamers para jogar. Basta analisar os jogos que estão sendo lançados nos últimos meses para ver que isto não é uma mentira: Dead Star, Rocket League, Helldivers, Nom Nom Galaxy, BroForce, Magicka 2, etc.

Enquanto tudo isso ocorre, a rival Microsoft tenta correr atrás do tempo perdido e recuperar parte do seu market share, dando de graça ótimos jogos na “Games With Gold” que em sua maioria já foram dados antes pela SONY (como Sherlock Holmes Crimes and Punishments e Borderlands em Março de 2016 e Deus Ex: Human Revolution em Janeiro deste mesmo ano). Como a SONY já deu esses mesmos jogos de graça anos antes, não faz sentido para a mesma dá-los novamente – só geraria mais fúria dos fãs, que hoje já não é pequena.

psnanalise5“Eu to esperando ‘Fallout 4’ de graça e recebo ‘Super Time Force Ultra’? Tá de sacanagem, Sony!”

O Futuro

Para os usuários insatisfeitos com a qualidade dos jogos, a solução é simples: parar de assinar o serviço da PSN Plus e parar de choradeira. Se você não gosta de alguma coisa, não a consuma e mostre sua insatisfação. Com a PSN Plus perdendo usuários, a SONY receberia a chacoalhada que precisa para tentar mudar alguma coisa. Se o gamer reclama por meses em sequência mas continua pagando a assinatura religiosamente é porque não está tão incomodado quanto parece estar.

Entretanto, a interrupção do serviço é muito difícil de acontecer, visto que grande parte dos usuários utiliza a PSN Plus para jogar online e quer continuar a fazê-lo. Então, amigo gamer, só resta engolir o choro.

psnanalise6“Vou contar tudo pra minha mãe, SONY!”

A SONY certamente está escutando todas as reclamações de mãos atadas, refém do próprio sucesso e da estratégia que criou de dar jogos de graça. Só resta a ela dar tempo ao tempo, até que as desenvolvedoras de jogos Triple A já não vejam mais potencial de venda nos seus games antigos e queiram distribuí-los de graça para pavimentar o seu futuro.

A pergunta é: se a situação persistir por muito mais tempo, poderia a Microsoft recuperar o prejuízo e alcançar a SONY? Isso só o futuro (e os gamers!) dirão.

De qualquer forma, dada a qualidade dos games indies que são lançados atualmente, na minha modesta opinião de assinante da PSN Plus (que passou 2 anos jogando de graça jogos velhos de 16 bits), acho que os gamers que criticam a SONY hoje estão reclamando de barriga cheia.

Artigo: Console versus PC

PCfight

Essa discussão sobre qual a melhor plataforma para se jogar provavelmente nunca terá fim. Ambas as plataformas têm seus prós e contras, e gamer que é gamer conhece os argumentos de trás para a frente. O que realmente importa na hora de escolher a melhor plataforma? Os jogos? O desempenho e qualidade dos gráficos? O conforto de jogar espalhado no sofá com os amigos? O preço dos jogos? A plataforma com mais multifunções? A minha intenção nesse artigo não é enumerar prós e contras (apesar de citar e comentar alguns), e nem aconselhar ninguém sobre qual plataforma comprar. Quero apenas refletir um pouco sobre a situação dessa rivalidade, por assim dizer, dentro do universo do entretenimento eletrônico.

Eu tenho, você não tem!

Eutenho

Não é incomum um PC Gamer ouvir piadinhas do tipo: “Aí, Red Dead Redemption está em promoção na Steam… Ah não, pera…“. Assim como aqueles que jogam em consoles ouvirem: “Obrigado por testarem o beta do GTA V pra gente“. Apesar da zoeira nunca ter fim, essa guerra entre fanboys, entusiastas e fãs ecléticos que não discriminam por marca, nem taxa de FPS, levanta alguns pontos bem relevantes na hora de escolher uma plataforma.

Um dos principais argumentos de quem joga em console é que os “console exclusives” são melhores que os exclusivos para PC. Por sua vez, os PC Gamers rebatem esse argumento dizendo que a quantidade de exclusivos para PC é maior que a de consoles. É fato que a quantidade de exclusivos para PC é maior, mas talvez no quesito exclusivos AAA, os consoles levem vantagem por causa de franquias como Legend Of Zelda, Uncharted, Gears of War, Mario, The Last Of Us, Halo, entre outras.

A expectativa por esses games sempre é enorme, e para poder jogar algum deles, você vai precisar ter um console. É claro que gosto é uma coisa subjetiva e você pode não se interessar por nenhuma dessas franquias e preferir as franquias exclusivas para PC, mas não dá para ignorar a importância dos exclusivos AAA dos consoles, tanto no âmbito comercial quanto no âmbito do entretenimento e arte. Então se você joga em um PC apenas, fatalmente você vai deixar algumas dessas pérolas passar em branco.

Downgraaaaaaaaaaaaaade

WatchDO

E o que falar sobre a velha discussão sobre gráficos? Os gráficos dos jogos para PC são melhores mesmo? Sim, são melhores. Isso é fato e contra fatos não existem argumentos. PCs sempre terão vantagem no quesito hardware e consequentemente os PCs sempre terão gráficos melhores. Mas o que dizer da influência dos consoles sobre os gráficos dos jogos (multiplataformas) lançados para PCs, que deveriam ser bem superiores, mas acabam não sendo tanto assim?

Não, eu não sou louco, e eu não estou me referindo a resolução nem taxa de FPS, eu falo por exemplo (e principalmente) dos downgrades que os jogos de PC infelizmente sofrem “por causa” dos consoles. Se olharmos os videos dos jogos quando são anunciados em eventos tais como a E3, e depois olharmos os mesmos jogos quando lançados, o downgrade, muitas vezes absurdo, fica evidente. Watch Dogs talvez seja um dos melhores exemplos disso e mais atualmente o próprio The Witcher 3, em que a versão final ficou com gráficos aquém do que foi mostrado em demos e vídeos de gameplay na época do seu desenvolvimento.

As softhouses sofrem pressão para que os jogos fiquem parecidos em todas as plataformas? Ou simplesmente priorizam os jogos para consoles que é onde o lucro delas é maior? Existem aqueles que não se importam com gráficos, geralmente jogadores das antigas, que começaram nos consoles da geração 8 bits. Mas existem aqueles que gastam quantias exorbitantes para rodar os games no máximo da sua capacidade, em resoluções em 4k por exemplo e com altas taxas de FPS. Existe espaço para todos.

E o que acontece com as desenvolvedoras e o descaso em relação a alguns games? Se você joga no PC e adquiriu Batman Arkham Knight, você provavelmente teve algum problema com o desempenho do jogo, glitches, bugs e etc. Os desenvolvedores deveriam ter um respeito maior pelo consumidor e lançar um produto final de qualidade. Mas porque isso acontece? Por que Red Dead Redemption por exemplo não foi lançado para PC? Porque GTA 5 levou 2 anos para ser lançado para PC? Porque alguns jogos são lançados para PC mal otimizados?

A resposta mais óbvia para essa pergunta é que os consoles geram um lucro maior para as desenvolvedoras do que os PCs. Mas gera mesmo? Entenda que eu me refiro ao lucro desses jogos específicos, AAA multiplataformas, e não da receita gerada pelas vendas de todos os jogos existentes para PC de uma forma geral. Só o GTA 5 por exemplo, que foi lançado inicialmente apenas para dois dos principais consoles da geração passada, quebrou sete recordes na época, entre eles: “Propriedade de entretenimento a alcançar mais rápido a marca de US$ 1 bilhão“, “Videogame a alcançar mais rápido US$ 1 bilhão“, “Maior receita gerada por um produto de entretenimento em 24 horas (US$ 815 milhões)“. Isso sem falar nos games exclusivos, mas isso é apenas uma afirmação baseada em observação, então considerem apenas como uma opinião pessoal, posso estar totalmente errado. A pirataria também é um dos principais fatores que atrapalham as vendas de jogos para PC no mundo todo, e com certeza as desenvolvedoras levam isso em consideração.

Eu gosto mesmo é da rapaziada

Vovogamer

Passar o dia ou a noite inteira jogando aquele game de futebol ou de luta com amigos (ou família), comendo pizza e tomando coca cola (zero), no mesmo ambiente, espalhados no sofá, enquanto o choro de quem perde e a zoação do “rei da mesa” é sem limites, ainda é quase que uma exclusividade de quem joga nos consoles. É claro que hoje o multiplayer online domina, e o multiplayer local é uma opção quase extinta, mas ainda é tão divertido quanto era há anos atrás.

Umas das vantagens de se jogar online nos consoles é que raramente ou poucas vezes você encontrara algum cheater, e quando tem, as desenvolvedoras banem mesmo. Já no PC, infelizmente a frequência desse tipo de gente é maior, inclusive recentemente jogadores profissionais foram punidos e até banidos por usarem cheats ou se aproveitar de glitches em partidas oficiais de campeonatos. Mas independentemente de qualquer coisa, jogar online seja no PC ou no console, com ou sem os amigos, é extremamente divertido, e geralmente é também frustrante porque sempre tem alguém melhor que você quando se joga online!

O preço dos jogos também é um dos fatores mais relevantes na escolha de uma plataforma, principalmente aqui no Brasil onde os preços para consoles são absurdos (malditos impostos?). Lá fora, nos principais mercados de games, os preços dos jogos se equiparam, não existe uma discrepância tão absurda assim que justifique a opção por uma plataforma ou outra, mas a nossa realidade infelizmente é outra. Mas eu sou um otimista e sei que um dia ainda vou ver os jogos para consoles com preços justos aqui no Brasil.

Independente de joystick ou mouse/teclado, televisão ou monitor, 4k/+60fps ou HD/30fps, Red Dead Redemption ou Campo Minado, o que vale é a diversão (conclusão do GCG Podcast #004). A experiência é o que conta, e contra isso ninguém pode argumentar. Não existe “melhor” plataforma para jogar, existe a plataforma na qual você se diverte mais. Então divirtam-se jogando no PC, no console, no portátil, mobile ou onde for.