Artigo: O sonho de se expressar

Amigos Gamers! Muito se discute sobre os videogames serem uma forma de arte. Alguns argumentam se tratar de um mero passatempo, outros já dizem que é um meio de expressão pessoal. Ao longo dos tempos, o ser humano vem tentando se expressar através de diversas formas: pinturas, esculturas, atuando, escrevendo, cantando, pichando e por aí vai. Mas o que é arte? Por que nos preocupamos com isso? Não vou me meter em tentar definir até porque não sou a pessoa mais indicada para isso. Mas, para uma mídia que tem o poder de mover o coração das pessoas, criar laços e levar a imaginação para outros mundos, é inegável o poder que ela tem.

 A sétima arte

CinemaGame“Sonic. Em breve nas salas de cinema perto de você. (Ainda bem que não…)”

Um paralelo muito comum de ser fazer é comparar videogames com cinema. Alguns desenvolvedores, inclusive, tentam fazer essa comparação com diferentes graus de (in)sucesso (The Order 1886, por exemplo, ou o David Cage com Heavy Rain e outros). O cinema tanto pode ser um passatempo sem objetivo (filmes do Michael Bay) quanto uma faceta de expressão de um artista (muitos até para listar). A verdade é que esta mídia possui um trabalho muito autoral; quem não reconhece um filme do Tarantino logo de cara? Ou a música de um John Williams que trouxe vida a tantos mundos? Ainda assim, o cinema possui aquela faceta blockbuster, AAA, massificada, pronta para consumo. Onde o trabalho individual quase não é reconhecido, não existe uma sensação de autoria.

Um exemplo que gosto de usar é o M. Night Shyamalan, a marca registrada dele estava em filmes como Sexto Sentido e Corpo Fechado. Mas nem se repara nos insípidos, The Last Airbender e After Earth. Ou seja, a mesma pessoa pode produzir tanto trabalhos autorais quanto trabalhos generalistas.

O cinema é talvez o paralelo mais óbvio e o que mais se aproxima da experiência que um jogo proporciona. Mas, há uma diferença essencial: a interação. Com um filme, você está sujeito a visão que o diretor quer passar. Com um jogo isso também é verdadeiro, mas a sua experiência pode mudar conforme você joga o desenrolar da trama. As lembranças que você tem, as dificuldades que você passou, tudo isso serve para construir uma história na sua própria cabeça que pode ir muito além do que foi pretendido.

Metendo a mão na massa

MarioKEY“Onde os sonhos começam”

Hoje a indústria gamer de produção está basicamente dividida em 2 grandes blocos: indie e grandes produtoras. O curioso é que a indústria fez um grande círculo. Nos primórdios da nossa querida mídia, ela era desenvolvida por bravos soldados querendo colocar a sua visão em um pequeno pedaço eletrônico. Infelizmente na época, a Atari coibia seus artistas e não colocava os seus nomes nos jogos, tudo era pertencente a grande marca. Quem não se lembra do primeiro easter egg da história onde era encontrado o nome do criador do jogo em Adventure?

Adventure_Easteregg“Um quadrado aventureiro.”

Da queda da Atari para a ascensão da Nintendo, as grandes produtoras de conteúdo surgiram e dominaram o mercado. Ainda que nomes como Shigeru Miyamoto de Mario, Yuji Naka de Sonic e até mesmo Yuzo Koshiro (o músico) que conseguiu colocar o seu nome na tela inicial de Streets of Rage eram reconhecidos, cada vez mais os jogos tinham a cara da empresa e não dos seus criadores. Óbvio, outliers sempre existiram e sempre existirão, franquias foram criadas e nomes foram associados ao seu talento criativo (Final Fantasy, por exemplo). Mas quem nunca se pegou comentando que certo jogo tem a cara da Capcom, da Konami, da Square, da SEGA e por aí vai?

O mercado de autoria nunca morreu na verdade, sempre seguiu em paralelo no mundo do PC com a plataforma Steam, por exemplo. Mas eu diria que o grande boom veio com a Xbox Live Arcade. Ótima iniciativa da Microsoft em fazer um mercado digital para jogos de menor porte nos consoles tanto para grandes empresas como para talentos empreendedores. Em 2008, Braid veio com uma experiência super pessoal e intimista, que na opinião de seu autor, Jonathan Blow, nem todos entenderam. Mas não é aí que está a beleza do negócio? A partir deste ponto, voltou-se a cada vez mais falar sobre autores dentro dessa nossa querida mídia. Uma ótima experiência para entender um pouco mais disso é o Indie Game: The Movie (dica, tem no Netflix). O filme acompanha a trajetória de Jonathan Blow e outros autores nas agruras para se fazer um jogo.

Hoje a oferta de jogos assim é enorme, tanto é que foi um dos chamarizes da Sony para atrair os seus consumidores para as plataformas PS4 e PSVita. Com a produção de jogos AAA aumentando cada vez mais o seu orçamento, dificultando a compra de uma exclusividade, os jogos independentes podem ser o diferencial neste briga.

Onde está o Brasil?

PropMK“Ah o mercado brasileiro em sua infância…”

Nós, gamers, acompanhamos todo o desenvolvimento desta indústria. Crescemos juntos com os nossos jogos, mesmo que aos trancos e barrancos. Convivemos com atraso de pensamento, pirataria, preços exorbitantes, enfim. Estamos num ponto de ebulição, a cultura gamer no Brasil precisa se desenvolver. Sempre recebemos tudo de fora, exaltamos nomes lá de fora, não que isso seja um problema, é claro. Mas temos nomes fortes outras mídias de expressão: música, cinema, artes e livros. E por que não nos games? Temos muitas ferramentas que antes não tínhamos acesso, plataformas que podemos usar para escrevermos nossos livros, tocarmos nossas músicas, fazermos nossos filmes e apresentarmos as nossas pinturas.

Fazer um jogo. Se expressar através de um jogo é um sonho real e factível. Já tivemos o primeiro jogo que foi financiado pela Lei Rouanet, Toren, que foi feito pela galera da Swordtales e foi recentemente lançado (em breve resenha também). Ótimo passo para a indústria nacional. Mas isso mostra uma esquizofrenia, por que ainda os jogos de videogame são taxados como jogos de azar? E por assim o ser, como se justifica um incentivo a cultura no financiamento de Toren. Por favor Brasil, decida-se!

Outra ótima iniciativa de fomento do mercado e do sonho de muitos gamers é o:

SPLITPLAYAlém de ser um grande empreendimento concebido e executado exclusivamente por brasileiros, o seu produto final é a distribuição de obras feitas por brasileiros e também pelos nossos vizinhos latino americanos. São dois sonhos se realizando através de muito trabalho: o de se ter uma empresa e o de ser uma empresa colaborando para o fomento do mercado gamer.

É com grande prazer e orgulho que o Gamer Como a Gente anuncia a parceria com o Splitplay, pois acreditamos no trabalho que a empresa está fazendo para modificar o nosso cenário e a nossa cultura. Acreditamos que dali pode sair sim o grande nome brasileiro dos games! Sempre que pudermos, contribuiremos para o seu desenvolvimento, seja através de artigos de opinião, análises de jogos, eventos, o que mais vier.

Quer conhecer mais? Clica aqui e entre no site ou ouça o podcast que fizemos com Rodrigo Coelho, um dos membros fundadores. Não tem como não se inspirar.

Conclusão

É possível criar uma obra de videogame que toque as nossas emoções, que perturbe a nossa mente e que conteste os nossos paradigmas. Tem um sonho amigo gamer? Quer se expressar desta forma? Não se acanhe, você pode transformar seu sonho em seu trabalho.  Conte com nosso apoio.

Resenha: Soul Gambler

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Aposte a sua alma e controle a realidade


O MITO DE FAUSTO

Escrito e publicado em 1808 por Johann Wolfgang Goethe, o poema “Fausto, uma tragédia” é considerado umas das muitas obras primas da literatura alemã. Os mais de doze mil versos contam a história de Fausto, um homem que fez um pacto com o Demônio para preservar sua juventude.

Lançado em 2014 para PC pela desenvolvedora indie brasileira Gamestorming, o jogo Soul Gambler reconta a história escrita por Goethe de uma maneira inteligente e dinâmica, colocando o gamer na pele de um Fausto reinventado para os dias de hoje. Logo no início do jogo, ao sair do trabalho, o player esbarra com uma velha em um ponto de ônibus e recebe uma proposta no mínimo tentadora: vender parte da alma para ter todos os seus desejos realizados!

Prepare-se para embarcar em uma perturbadora jornada, apostando parte da sua vida para revelar uma nova e obscura realidade à sua volta, mantendo viva uma mitologia que nasceu há mais de 200 anos atrás.

soulgambler1“Beleza, Fausto! Pode parar! Já entendi porque você está disposto a vender tua alma para mudar a realidade…”

AVENTURAS FANTÁSTICAS?

Enquanto jogava Soul Gambler não pude deixar de lembrar das Aventuras Fantásticas, série de livros role-playing que eram uma febre no Brasil nos anos 80 e 90. Escritas por Steve Jackson e Ian Livingstone, as obras primas transformavam você no verdadeiro protagonista da história enquanto lia: a cada parágrafo, uma escolha diferente devia ser feita para avançar a sua aventura.

O gameplay do jogo da Gamestorming é muito semelhante aos livros citados acima, e ao mesmo tempo bem tranquilo e intuitivo. O enredo se desenvolve como uma história em quadrinhos interativa: a cada quadro uma escolha deve ser tomada – e cada escolha impactará em como a jornada de Fausto irá se desenrolar.

Além disso, logo em um dos primeiros quadros, você poderá distribuir pontos entre os atributos do personagem – saúde, manipulação, inteligência e carisma. Esses atributos terão fortes consequências diretas no desenrolar da trama. Dependendo da forma como o seu Fausto for construído, você terá acesso a escolhas únicas e será impactado de formas diferentes pelos fatos relevantes que ocorrem durante o jogo.

soulgambler2“Não contavam com minha astúcia!”

DOU METADE DA MINHA ALMA POR MAIS TEMPO DE JOGO

A história do jogo é bem instigante e faz com que o gamer avance rapidamente pelos quadrinhos para ver o que vai acontecer. E infelizmente é aí que mora o ponto fraco do jogo: ele é muito curto! Em um pouco mais de uma hora você conseguirá percorrer a aventura de Fausto de cabo a rabo. Fica o recado para a Gamestorming: queremos mais!

De qualquer forma, o jogo é tão convidativo que rapidamente você estará iniciando outro playthrough, escolhendo diferentes atributos e tomando outras escolhas para ver os incontáveis caminhos que Fausto pode percorrer.

soulgambler3“E esteja preparado para receber conselhos dignos de Obi Wan Kenobi”

E COMO SE NÃO BASTASSE…

No final das contas, ainda tem outro belo motivo que faz o jogo ser ainda mais convidativo e que compensa o gameplay curto: o preço! Para você que estava se preparando para bancar o Fausto e vender parte da sua alma para poder comprar o jogo, saiba que não vai precisar chegar a tanto. Na loja Splitplay o jogo está à venda por míseros R$ 6,29! E para aqueles que forem mais rápidos, atualmente também está rolando um super desconto de 50% – então o jogo acaba saindo por R$ 3,14. Um preço quase inacreditável para os dias de hoje.

Com cenários muito bem desenhados, roteiro cativante completamente em português e gameplay de fácil acesso até mesmo para aqueles que não estão acostumados com videogame, Soul Gambler mostra que você não precisa ter um orçamento de blockbuster para poder brilhar no cenário gamer. As incontáveis escolhas de Fausto e os diversos finais de sua aventura vão ficar em sua mente por algum tempo, mesmo enquanto você não estiver jogando.

Afinal, quem nunca pensou em alterar a realidade ao seu bel prazer?

Nota:  soulgamblernota  (4,0 / 5,0)

Go! Go! Chroma Squad!

Amigos Gamers! No espírito do podcast que fizemos com Rodrigo Coelho do SplitPlay no qual também falamos um pouco sobre Chroma Squad, eis que surge o anúncio do seu lançamento. O pessoal da Behold Studios revelou através de um trailer super bem humorado que o jogo sairá em 30 de abril.

Para quem não conhece, a premissa do jogo é que você, gamer, tem que gerenciar seu próprio programa de super sentais. Desde a roupa até mesmo coreografias e lutas. Tudo pela audiência! Inclusive robôs gigantes!

Confiram:

DLC #001: Entrevista com Rodrigo Coelho

CastDLC001-Split

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Arte da Vitrine: Rodrigo Estevão
Edição: Diego Ferreira

Amigos Gamers! Sejam muito bem-vindos ao nosso primeiro DLC! Conversamos com Rodrigo Coelho, um dos fundadores da plataforma SplitPlay. É um marketplace de jogos que são exclusivamente desenvolvidos por brasileiros. Conheça um pouco do trabalho empreendedor que está sendo feito para o desenvolvimento do nosso mercado nacional. Entenda toda a trajetória do SplitPlay desde a sua concepção até os rumos futuros.

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