Resenha: Bloodborne

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A night of curses, a night to remember!


DARK SOULS NA ERA VITORIANA

O Playstation 4 foi lançado em 2013. Como gamer fã de carteirinha da série “Souls” e do diretor Hideataka Miyazaki, uma das minhas grandes curiosidades com relação ao sistema era como a série migraria para a nova geração e que tipo de perigos eu iria enfrentar.

Bloodborne começou a ser desenvolvido ainda em 2012 sob o misterioso nome Project Beast. A idéia era não só levar o já consagrado estilo de jogo para a nova plataforma, mas também criar uma nova IP (intellectual property, propriedade intelectual) exclusiva para o Playstation 4. Com isso, a Sony poderia arrebatar não só os fãs de longa data como eu, mas também cativar novas ovelhinhas gamers dispostas a morrer milhares de vezes e a jogar seus controles na parede.

Inspirado no trabalho literário de H.P. Lovecraft e, por incrível que pareça, no Manga/Anime Berserk, finalmente em Março de 2015 a From Software lançou o Dark-Souls-na-era-Vitoriana, como diz meu amigo Diego Ferreira.

E então? O que podemos esperar de Bloodborne?

blood2“História tenebrosa? Sim! Gráficos estupendos? Sim! Gameplay viciante? Sim! Milhões de mortes? Siiiiiim!”

NASCIDO DO SANGUE

Ao contrário dos outros games da série Souls onde a passagem de tempo não é claramente determinada, um ponto curioso de Bloodborne é que toda a história do jogo ocorre durante uma só noite, a “Noite da Caçada” – o que torna o jogo muito mais sombrio devido à total ausência de luz solar. Apesar da escuridão, o apreço dos desenvolvedores na parte gráfica é visível, tornando os cenários bem imersivos.

O jogador assume o papel do “Caçador” (the Hunter, no original), que acorda misteriosamente em Yharnam, uma gótica cidade infestada por uma praga sanguínea. Caberá a você revelar os segredos dos Sangues-Pálidos (Palebloods, no original), caçar infectadas feras monstruosas e desvendar os segredos da misteriosa praga para, enfim, escapar desta noite de pesadelos e voltar ao mundo real, o Waking World.

A história, seguindo os parâmetros clássicos da From Software, não é contada de forma usual, fazendo com que o gamer tenha que conversar com NPCs e ler a descrição de itens espalhados pelo jogo para descobrir o que realmente está acontecendo em Yharnam.

blood3“Os chefes do jogo são realmente grandes e monstruosos, fugindo um pouco da temática apresentada em Dark Souls 2, jogo predecessor da From Software”

 UM EXERCÍCIO DE ESQUECIMENTO PARA SUA MEMÓRIA MUSCULAR

Por mais que estrutura de combate e gameplay de Bloodborne siga a linha dos outros jogos do Miyazaki, é impressionante como o game te força a esquecer tudo que você aprendeu até então. A configuração de alguns botões é diferente – muitas vezes utilizei itens de cura quando queria apenas mudar minha arma – e isso é só a ponta do iceberg.

A primeira mudança notável de gameplay é a velocidade: todos os combates são mais rápidos e dinâmicos, e o número de vezes que você enfrenta múltiplos oponentes ao mesmo tempo é significantemente maior do que nos antepassados Demon’s e Dark Souls.

Bloodborne também recompensa o gamer que possui um estilo de jogo mais agressivo, visto que você consegue recuperar parte da energia perdida pelo seu personagem cada vez que você consegue atacar seu adversário com sucesso. A prova dessa mudança de estrutura de “combate hostil” é que o jogo não possui escudo, ao contrário da imensa variedade que podia ser encontrada nos outros jogos da From Software.

Há também uma mudança significativa nos atributos do personagem (em Bloodborne, existem menos deles para evoluir) e também nas armas do jogo, que merecem uma menção especial. Além da inclusão de pistolas, algo inédito nos jogos de Miyazaki, todas as armas principais possuem duas formas. Agora elas são chamadas de “Armas de Truque” e geralmente contam com uma versão mais rápida e de menor alcance e outra mais poderosa, que possui ataques mais lentos. O efeito não é meramente estético e influencia diretamente a jogabilidade e em como você enfrenta os diversos inimigos do jogo.

blood4“Qualquer semelhança com a Espadium Laser do Jaspion é mera coincidência”

 A DIFICULDADE, O MULTIPLAYER E AS MASMORRAS DO CÁLICE

Penso que a From Software resolveu fazer o jogo um pouco mais acessível aos gamers recém-chegados à série. Ao contrário do que estávamos acostumados a ver, em Bloodborne os picos de dificuldade são poucos, e depois de passada da curva de aprendizado das primeiras fases do jogo, o game corre rápido até o final – bem mais rápido do que eu gostaria.

Parte dessa facilidade apresentada é também vista no fato de Bloodborne infelizmente não seguir a estrutura de multiplayer dos games anteriores. A tensão de ter seu game invadido a qualquer momento por um outro player não existe mais. As invasões só ocorrem em determinadas partes do jogo onde existe um NPC que fica tocando um sino.

Percebendo isso, creio que a alternativa de Miyazaki para dar aos gamers velhos de guerra a boa e velha dificuldade da série souls, foi a inclusão das Masmorras do Cálice – dungeons opcionais que podem ser acessadas durante o jogo através de rituais realizados pelo seu personagem.

Essas masmorras, ruínas subterrâneas sob a cidade de Yharnam, são grandes, com muitas armadilhas e possuem inimigos que inclusive não aparecem na história principal. Lá os chefes são consideravelmente mais difíceis e, dependendo dos itens utilizados nos rituais para a criação dos calabouços, a dificuldade pode aumentar consideravelmente, bem como as suas recompensas.

blood5“Caso você esteja querendo encarar as masmorras, se prepare para passar maus bocados com o Watchdog of the Old Lords no Defiled Chalice”

ESTAMOS SEDENTOS POR MAIS

O sentimento de frustração a cada morte em Bloodborne caminha junto com a satisfação de cada chefe vencido e desafio conquistado. E por mais que seu coração esteja sempre pulando pela boca, e que um sentimento de fúria intensa te invada a cada morte, isso só prova uma coisa: existe um masoquista dentro de cada um de nós. Você simplesmente não vai conseguir parar de jogar até terminar.

Estamos no aguardo da próxima pérola do mestre Hideataka Miyazaki!

Nota: bloodnota   ( 4,0 de 5,0 )

Resenha: Cavaleiros do Zodíaco – Alma dos Soldados

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Faça elevar o cosmo do seu coração!!

Aos que conseguiram vivenciar a década de 90 em todo o seu esplendor, é realmente difícil não se identificar com Cavaleiros do Zodíaco. Nessa época não tínhamos internet, raramente tínhamos acesso a um mangá e os animes tinham profundidade zero no nosso país.

Então meus amigos, surgiu na nossa querida e saudosa TV Manchete, aquele anime que seria o desbravador de nossas terras, que abriu portas para outros excelentes animes como Yu-Yu Hakusho, Dragon Ball Z, dentre outros…

Essa nostalgia me fez querer consumir muito os produtos dos cavaleiros. Chicletes com figurinhas, bonecos, álbuns e porque não, o jogo dos Cavaleiros do Zodíaco – Alma dos soldados.

E temos que ter muita nostalgia…

História tão confusa que parece o mangá

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Os modos de jogo de Almas dos soldados não são muito diferentes do que vimos anteriormente. Modo battle, que dá para jogar um “versus” contra seu amigo gamer, torneio da guerra Galáctica que nada mais é do que um torneio normal, sem qualquer ligação com a história. Temos também o modo online, que não traz nenhuma novidade relevante (mas traz muito lag, ahhh como traz…). Mas as grandes novidades são o modo “Batalha de ouro” e “lenda do cosmo”, e é neles que reside a minha grande frustração…

Para quem viu a nova saga dos cavaleiros de ouro chamada Souls of Gold, impossível não ter ficado na expectativa de jogar com as novas armaduras divinas e derrubar a Yggdrasil, muito bom selecionar o Aioria de Leão com a armadura divina e derrotar o… Ikki de Leão?

Apesar de ter as armaduras divinas, o modo de batalha não segue em nada os acontecimentos de Souls of Gold, você apenas faz algumas batalhas sem sentido, claramente com a intenção de que você destrave as armaduras e tenha um pretexto para utiliza-las, já que o modo Lenda do cosmo também não conta com a saga.

Então… Vamos para a Lenda do cosmo!!

Fiquei muito empolgado ao ver que a saga de Asgard foi finalmente adicionada ao jogo dos cavaleiros. Muito interessante poder jogar com Bado, Shido, Mime e afins. Mas eu sou um fã nostálgico, queria relembrar a história e comecei primeiro pela saga do santuário.

A primeira decepção é que você já começa direto na batalha das doze casas, nada de cavaleiros de prata por aqui. As histórias são contadas por meio de cenários que você vai habilitando a cada vitória, mas como a história é mal contada…

Diferentes de jogos como Naruto, onde mesmo sem saber a história do mangá você entende perfeitamente o enredo, no jogo dos Cavaleiros se você não sabe nada a respeito você simplesmente aperta o botão para pular as fraquíssimas cutscenes . A história é pessimamente contada desde a saga do santuário até a saga de Hades, chega ao ponto da narrativa ser feita durante a luta, ou seja, você não consegue prestar atenção na luta e nas falas ao mesmo tempo.

Para completar, o jogo ainda mistura mangá com anime na sua linha narrativa, quando, apesar de ver a saga de Asgard (exclusiva do anime) e na saga de Hades vemos só o Shiryu dispersando a colisão de Exclamações de Athena (Que só ocorreu no mangá, sendo feita pelos quatro cavaleiros de bronze no anime).

Pior que isso, só ver o dragão negro tendo um irmão gêmeo cego…

Esses são os Campos Elíseos, onde as flores parecem papel e o capim é um borrão verde

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Graficamente falando, o jogo deu uma melhorada em relação aos modelos dos personagens, apesar da mão completamente desproporcional, as armaduras estão muito bem feitas e espelham bem a sua grandiosidade, sobretudo com as armaduras divinas, mas quando o assunto é background…

Os cenários não tem vida nenhuma, continuam no mesmo esquema de cenários 3D aonde claramente você observa as bordas, tudo muito pobre, tudo muito mal feito. Mal dá para se notar a diferença entre as doze casas durante as batalhas.

Mas a cereja podre do bolo são os campos Elíseos.

Se me dissessem que aquele cenário foi reaproveitado de um jogo de PS2 eu acreditaria na hora, é simplesmente inadmissível um jogo lançado para PS4 ter aquele nível de qualidade gráfica.

Eleve-se cosmo! Eleve-se ao infinito!!

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Depois de tudo, o jogo está lá no chão, com a armadura esfacelada e o dragão nas costas desaparecendo. Mas eis que escutou Athena chamando diretamente no seu cosmo.

O jogo tem pontos positivos também, mas somente se você é um fã absoluto da série.

A quantidade de skins disponíveis é muito grande, em alguns casos dá para jogar até sem armadura nenhuma. A única coisa que incomoda é a pouca variedade de espectros de Hades. Mas poder finalmente jogar com os guerreiros deuses de Asgard é muito bom.

Sobre as mecânicas de combate, a melhor parte do jogo.

Houve uma clara evolução das mecânicas básicas do jogo anterior, Bravos soldados, a fluidez dos combates está muito melhor, os ataques big bang estão bem bonitos além de algumas finalizações lembrarem muito os ângulos de cena desenhados por Kurumada no mangá original.

Mas não é um jogo profundo, não espere um The King of Fighters nas mecânicas de jogo, todos os combos são ridiculamente fáceis de serem executados e o jogo é bem desbalanceado em alguns momentos. Novatos podem se deliciar com os ataques simples da corrente do Shun que tem um alcance inacreditável, e se desesperar ao perder uma luta levando uma sequencia de golpes simples do Aioria. Porém ficou bem simples esquivar de certos ataques e até mesmo cancelar Big Bangs, o que irrita bastante quando se é a vítima do cancelamento.

O ponto fraco do cólera do dragão

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Mas a coisa realmente ruim e irritante do jogo é que para se ter acesso a todos os colecionáveis você precisa fazer um “grind” absurdo para conseguir moedas e comprar as coisas. As vezes no meio da luta você ganha como prêmio o desbloqueio do item “para compra”, o que é bastante frustrante. O pior de tudo é que o jogo te obriga a jogar muitas vezes. Como o esquema de batalha não é profundo, isso se torna um martírio sem fim e um círculo vicioso.

“O sistema de jogo é simples, seria melhor se tivesse todos os personagens, para ter todos os personagens você tem que se acabar de jogar com os poucos personagens que tem.”

A recompensa parece não valer o custo e você acaba desistindo.

Saaaoooooooriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

O jogo é recomendável apenas para os fãs da série, como jogo de luta é bem raso. Destaque para a dublagem em português com os dubladores originais da série. Para quem não sabe, Cavaleiros fez tanto sucesso que elevou os dubladores a um novo patamar, transformando-os em celebridades para os fãs.

nota:      resenha cv 6

Resenha: Fallout 4

fallout 4 capa

“Game. Game never changes.”


Saudades do Apocalipse

Foi no já longínquo ano de 2010 que havia saído a última versão da premiada série da Bethesda. Fallout: New Vegas embarcou no sucesso estrondoso que havia sido seu antecessor, Fallout 3, lançado em 2008.

Desde então se passaram 5 anos enquanto os fãs esperavam ansiosamente por uma continuação da saga.  Finalmente, em novembro de 2015, os sortudos possuidores de Playstation 4, Xbox One e PC foram agraciados com Fallout 4, que se passa 10 anos após os acontecimentos de Fallout 3.

Construa uma pistola com sucata, vista uma armadura enferrujada, agarre uma Nuka Cola bem geladinha e caia dentro deste petardo conosco, explorando uma Commonwealth devastada pela guerra nuclear!

fallout 4 1“E ser você der sorte ainda pode arranjar um cachorrinho de estimação”

Começando pela cereja do bolo nuclear

Como sempre, o game da Bethesda se pauta no primor do roteiro, tanto da missão principal quanto das secundárias.

A história começa no em outubro de 2077, com os Estados Unidos na iminência de sofrer um ataque nuclear chinês. Logo após montar seu personagem – masculino ou feminino – em uma casa digna dos anos 50, você descobre que o ataque deixou de ser uma mera suspeita e já é uma cruel realidade.

Agarrando sua esposa (ou marido) pela mão e colocando seu filho no colo, vocês correm desesperadamente para um bunker chamado Vault 111, onde você descobre que será congelado até o final da guerra. Obviamente, como seguir o script não é algo comum em tramas deste tipo, você é descongelado apenas para ver sua esposa ser assassinada e seu filho ser raptado por dois desconhecidos.

Finalmente, após sair de seu martírio, você deve partir atrás de vingança pela morte de sua amada e descobrir o paradeiro do seu filho. A tarefa que já seria complicada e se torna ainda mais hercúlea devido a um pequeno e simples detalhe: o ano agora é 2287, os Estados Unidos foram devastados pela guerra e o território americano está infestado de ghouls, super mutantes, e uma frágil sociedade que tenta sobreviver em meio ao apocalíptico caos nuclear.

fallout 4 2“Fique tranquilo. Quando o bicho pegar, basta entrar na sua armadura e ligar a metralhadora giratória”

 A guerra nunca muda. E Fallout também não.

Já começo salientando que discordo parcialmente das primeiras impressões de Antônio Lutfi, publicadas aqui mesmo no gamer como a gente.

Os fãs da série sabem de cor o mote da saga: “Guerra. A guerra não muda nunca”. Penso que a  Bethesda parece ter seu próprio lema oculto, um tanto quanto similar. Eu diria que é algo como “Game. O game não muda nunca”.

Antes mesmo do lançamento já sabíamos tudo que existiria no jogo: um mundo aberto fantástico com milhões de missões instigantes, uma narrativa envolvente com pitadas de humor ácido e violência crua, uma gigantesca árvore de customização de personagem com fortes influências de RPG, a opção de mudar entre um combate de primeira pessoa (que não possui a fluidez de um FPS) e um combate em terceira pessoa (que mais parece um jogo de PS2), personagens construídos com gráficos de geração passada e bugs avassaladores.

Ainda que os elementos antigos (como a radiação e as habilidades) tenham sido redesenhados, simplificados e melhorados conforme mencionou o Antônio em seu artigo mencionado acima, a essência do jogo é a mesma.

fallout 4 3“Alguns personagens parecem de plástico, mas nada que vá impactar no seu gameplay”

 Inevitáveis comparações e os novos elementos

O fato de existirem jogos anteriores lançados pela mesma produtora, contendo a mesma estrutura e ambientados no mesmo universo obviamente levam os fãs a comparar as experiências. Comigo não foi diferente e por muitas vezes me vi comparando alguns elementos do Fallout 4 com os jogos anteriores.

Chamem-me de preciosista, mas não há missão secundária em Fallout 4 que se compare, por exemplo, com a missão secundária de Megaton de Fallout 3, onde logo no início do jogo cabia ao player a decisão de ativar ou desativar uma bomba nuclear no centro da cidade. Essa decisão te acompanharia até o final da história, e mesmo não afetando a missão principal, influenciava em todo o ambiente ao seu redor ao longo de toda sua jornada. Grande parte das sidequests me pareceram mais vazias do que as apresentadas anteriormente.

Os personagens secundários também me pareceram mais memoráveis nos jogos anteriores. Three Dog, o DJ de Fallout 3, dá um banho de personalidade em Travis Miles, o DJ de Fallout 4, ainda que as músicas que ambos toquem sejam rigorosamente as mesmas.

Por outro lado, muitos outros elementos se sobressaem na nova versão da franquia. A missão principal de Fallout 4 é muito mais engajadora do que a dos seus precursores. As facções de personagens têm uma interação muito maior com o universo e suas missões influenciam em como seu personagem é visto pelos demais habitantes da Commonwealth de uma maneira mais relevante do que antes.

Os produtores da Bethdesda também aproveitaram esta nova versão da franquia para incluir settlements, que podem ser vistos como pequenos conjuntos habitacionais dentro da comunidade virtual do jogo. Caso o player deseje, pode passar literalmente dias construindo e evoluindo seus “assentamentos”, convocando NPC’s, construindo casas e criando um ambiente autossuficiente com agricultura, eletricidade e defesas contra invasores.

fallout 4 4“Obviamente, alguns gamers foram além e resolveram construir um AT-AT”

 Quando o mais do mesmo satisfaz

Fallout 4 infelizmente não dá um passo à frente quando comparado a seus antecessores. Mas ainda que o game não apresente um avanço palpável, isso não significa que o jogo é ruim – pelo contrário! Tudo funciona tão bem como funcionava nas séries anteriores, o que faz de Fallout 4 um jogo imprescindível para a coleção de qualquer gamer como a gente.

O humor está lá, a violência está lá, a narrativa estupenda está lá. A Bethesda continua sendo ponto de referência em jogos de mundo aberto e de sabe instigar o player a desbravar cada vez mais o universo apresentado. O que mais poderíamos querer?

Ainda que eu esperasse por algo novo e por uma revolução da franquia, é perfeitamente compreensível que os desenvolvedores apostem na fórmula que sempre fez – e digo até que sempre fará – muito sucesso. Como dizem os boleiros, em time que está ganhando não se mexe.

Nota:   Fallout 4 nota ( 3,5 de 5 )

 

Artigo: Uma análise crítica do momento da PSN Plus

psnanalise logo

A Playstation Plus, ou PSN Plus para os íntimos, para quem não sabe, é um serviço pago oferecido pela SONY para seus usuários. Ao se tornar assinante, o gamer passa a receber benefícios que vão desde descontos na compra de games, passando por cloud saving, chegando até a jogos que são distribuídos de forma gratuita e podem ser jogados infinitamente enquanto durar a assinatura.

Entretanto, nos últimos meses, a SONY vem sido amplamente criticada pela suposta má qualidade dos jogos que estão sendo distribuídos gratuitamente.

Por qual motivo misterioso a SONY antes dava de graça jogos de maior investimento, mais conhecidos como “Triple A” (como Bioshock Infinite, Dishonored, Batman:Arkham City, Tomb Raider, Dead Space 3, etc) e hoje só distribuí, em sua maioria, jogos indies ou de menor apelo?

Bem, para entender isso devemos voltar um pouco no tempo para entender como tudo começou.

psnanalise1“A reclamação dos usuários poder ser vista em todos os lados, até aqui no Gamer como a Gente!”

O Início da PSN Plus

O serviço da PSN Plus começou em Junho de 2010, exclusivo para PS3. O serviço vinha para competir diretamente com a Xbox Live, da Microsoft. A diferença principal era uma só: a Live era uma necessidade quase obrigatória para os gamers adeptos ao console da Microsoft. No Xbox 360 você precisava pagar a assinatura da Live para jogar online, enquanto no PS3 as partidas de multiplayer sempre foram gratuitas. Ora, porque então você iria dar seu suado dinheiro para a SONY se ela não te dava nada em troca? Qual era o benefício?

O que me fez tornar assinante logo no início foi o cloud saving, pois meu PS3 sofria com um HD pequeno. Entretanto, a SONY tinha planos maiores para a PSN Plus: a “Instant Game Collection”, o serviço que dá “jogos de graça” para os usuários.

Entretanto, para quem não se lembra, os primeiros jogos lançados na PSN Plus não eram “Triple A”, muito pelo contrário. Nos dois primeiros anos de PSN Plus, entre 2010 e 2012, os usuários jogaram em sua grande maioria games indies de menor custo (Wipeout HD, Dead Nation, Plants vs Zombies, Shank, Trine, etc) e games velhos de 16 bits, mais especificamente jogos lançados para o finado Mega Drive mais de 15 anos antes (Sonic, Streets of Rage, Altered Beast, Comix Zone, etc).

Nesta época, a base de usuários da PSN Plus não era grande, e a SONY precisava mudar sua estratégia para virar o jogo, pois estava atrás da Microsoft.

psnanalise2“Foto do gameplay de Hamsterball, um dos grandes ‘petardos’ da Sony no início da PSN Plus”

O Full House da SONY

A SONY começou a mostrar suas cartas e a virar o jogo em Junho de 2012. Foi neste mês que foram lançados na “Instant Game Collection” os primeiros jogos reconhecidamente “Triple A”, Infamous 2 e Little Big Planet 2. Coincidentemente, ambos jogos haviam sido publicados e distribuídos antes pela (ahá!) própria SONY. Era uma estratégia que não só traria mais usuários como também mostraria às desenvolvedoras grandes o apelo da PSN Plus, e de como elas poderiam divulgar os seus jogos para uma base fixa (e pequena!) de usuários. O boca-a-boca dos gamers faria o resto.

A estratégia da SONY deu certo, e várias desenvolvedoras passaram a distribuir seus jogos na PSN Plus. Os assinantes do serviço puderam jogar “de graça”, entre Junho de 2012 e Dezembro de 2013, jogos como Borderlands 1 e 2, King of Fighters XIII, Resident Evil 5, Bioshock 2, Super Street Fighter IV, Demon’s Souls, Deus Ex Human Revolution, Battlefield 3, Hitman: Absolution, XCOM: Enemy Unknown, entre muitos outros.

Apesar de não termos os números corretos de quantos usuários assinavam a PSN Plus na época (até porque este é o tipo de informação que a SONY guarda a 4 chaves por ter sido a base de toda sua estratégia naquele momento), sabemos que a aderência dos assinantes foi aumentando consideravelmente, como pode ser visto nesta reportagem aqui de Novembro de 2013.

Um ano depois, a PSN Plus já havia se tornado um sucesso estrondoso em toda a indústria gamer. A estratégia fazia com que os competidores arrancassem os cabelos, e inclusive provocou o nascimento em Julho de 2013 da “Games with Gold” serviço semelhante da Microsoft que dá aos seus assinantes jogos de graça da mesma forma que a PSN Plus, exatamente um ano após a mudança de política da SONY (entretanto, deixemos a análise estratégica da concorrente para outro artigo em um futuro próximo).

psnanalise3“Anos Dourados da PSN Plus, impulsionando a SONY ao topo da nova geração das Console Wars”

A faca de dois gumes da SONY

Com o lançamento do PS4 no final de 2013 a estratégia da SONY mudou. Assim como a Live da Microsoft, a PSN Plus se tornava obrigatória para que os usuários do seu sistema pudessem jogar online. O efeito foi praticamente instantâneo, com mais um crescimento expressivo: em menos de um ano, em Outubro de 2014, os assinantes da PSN Plus passaram a somar 7,9 milhões de usuários, em uma base instalada de 13,5 milhões de Playstation 4 vendidos no mundo (como pode ser visto nesta reportagem aqui). A reportagem menciona também que no mínimo a metade de todos os usuários do PS4 teria acesso ao serviço da PSN Plus.

Nos últimos números divulgados pela SONY, em Janeiro de 2016, a base instalada do PS4 somava 36 milhões de usuários. Obviamente, um crescimento proporcional dos usuários da PSN Plus é o mínimo a ser esperado e acaba sendo uma conclusão lógica, apesar de não termos os números precisos por falta de divulgação da empresa.

Entenda agora a fria em que a SONY se meteu com as desenvolvedoras, meu amigo gamer:

Imagine que a SONY se aproxime da Naughty Dog, desenvolvedora de jogos, com uma oferta para a mesma divulgar seu novo lançamento, Uncharted 4, de graça da PSN Plus. Isso significaria que, no mínimo, metade de todas as pessoas que tem Playstation 4 poderiam jogar o jogo de graça e não dariam nem um centavo para a Naughty Dog. Qual seria o interesse da Naughty Dog nisso? O crescimento deixa de ser sustentável, ao contrário do que ocorria em 2012 e 2013 quando o número de usuários da PSN Plus era muito inferior ao número de donos de PS3.

Como a nova geração dos videogames ainda é relativamente jovem, as desenvolvedoras grandes só vão estar dispostas a dar seus jogos de graça quando a expectativa de venda destes jogos não for tão forte como agora. Ou talvez só o façam quando uma nova versão do mesmo jogo estiver no forno para sair (por exemplo, quando Borderlands 1 foi dado de graça na PSN Plus às vésperas do lançamento de Borderlands 2).

psnanalise4Uncharted 4 de graça da PSN Plus mês que vem, só no meu Photoshop

 A solução da SONY

Como podemos ver, a SONY ficou com um problema gigantesco em suas mãos. As grandes desenvolvedoras de jogos se refreiam em botar seus jogos de graça para não perder dinheiro, e a base de usuários da PSN Plus, agora enorme, clama por receber seus games gratuitos.

Encurralada e sem soluções, a SONY acha uma saída simples: ela vai atrás de desenvolvedoras Indies, empresas menores que estão em busca de espaço no mercado e uma base cativa de fãs, e que estão produzindo essencialmente jogos multiplayers, que necessitam de uma larga massa de gamers para jogar. Basta analisar os jogos que estão sendo lançados nos últimos meses para ver que isto não é uma mentira: Dead Star, Rocket League, Helldivers, Nom Nom Galaxy, BroForce, Magicka 2, etc.

Enquanto tudo isso ocorre, a rival Microsoft tenta correr atrás do tempo perdido e recuperar parte do seu market share, dando de graça ótimos jogos na “Games With Gold” que em sua maioria já foram dados antes pela SONY (como Sherlock Holmes Crimes and Punishments e Borderlands em Março de 2016 e Deus Ex: Human Revolution em Janeiro deste mesmo ano). Como a SONY já deu esses mesmos jogos de graça anos antes, não faz sentido para a mesma dá-los novamente – só geraria mais fúria dos fãs, que hoje já não é pequena.

psnanalise5“Eu to esperando ‘Fallout 4’ de graça e recebo ‘Super Time Force Ultra’? Tá de sacanagem, Sony!”

O Futuro

Para os usuários insatisfeitos com a qualidade dos jogos, a solução é simples: parar de assinar o serviço da PSN Plus e parar de choradeira. Se você não gosta de alguma coisa, não a consuma e mostre sua insatisfação. Com a PSN Plus perdendo usuários, a SONY receberia a chacoalhada que precisa para tentar mudar alguma coisa. Se o gamer reclama por meses em sequência mas continua pagando a assinatura religiosamente é porque não está tão incomodado quanto parece estar.

Entretanto, a interrupção do serviço é muito difícil de acontecer, visto que grande parte dos usuários utiliza a PSN Plus para jogar online e quer continuar a fazê-lo. Então, amigo gamer, só resta engolir o choro.

psnanalise6“Vou contar tudo pra minha mãe, SONY!”

A SONY certamente está escutando todas as reclamações de mãos atadas, refém do próprio sucesso e da estratégia que criou de dar jogos de graça. Só resta a ela dar tempo ao tempo, até que as desenvolvedoras de jogos Triple A já não vejam mais potencial de venda nos seus games antigos e queiram distribuí-los de graça para pavimentar o seu futuro.

A pergunta é: se a situação persistir por muito mais tempo, poderia a Microsoft recuperar o prejuízo e alcançar a SONY? Isso só o futuro (e os gamers!) dirão.

De qualquer forma, dada a qualidade dos games indies que são lançados atualmente, na minha modesta opinião de assinante da PSN Plus (que passou 2 anos jogando de graça jogos velhos de 16 bits), acho que os gamers que criticam a SONY hoje estão reclamando de barriga cheia.

Resenha: The Division

 the division logo

Tiro, Porrada e Bomba – Em grupo!


 Dividindo os Fanboys

Mal havia sido anunciado em 2013, The Division já começou causando um rebuliço na indústria dos games. Afinal, no mesmo ano da divulgação do game da Ubisoft todos nós havíamos sorvido as delícias de um shooter em terceira pessoa em um magnífico mundo virtual infectado por um vírus sem cura – me refiro obviamente ao Last of Us, petardo criado pela Naughty Dog e dissecado pelo time do Gamer como a Gente no Podcast #12. As comparações eram inevitáveis.

Depois de quase 3 longos anos de espera, finalmente em 2016 o véu da ignorância foi retirado e conseguimos cair dentro desta nova aventura. Lançado para PS4, XOne e PC, The Division finalmente mostrou a cara. As comparações eram justas? Nem tanto. O jogo não é melhor nem pior, é apenas diferente: mecânicas parecidas, universos similares, objetivos completamente opostos.

O que não quer dizer que seja ruim, é claro.

the division 10“Afinal, rola até um churrasquinho no meio das ruas de Nova York”

 Uma Nova York devastada por um vírus sem cura

O enredo do jogo é simples e se passa em uma Nova York sitiada. A cidade se encontra devastada por um misterioso vírus e isolada do mundo, já não contando com serviços básicos ou acesso a água e comida. A última esperança da metrópole é a agência Division, uma unidade secreta de sleeper agents que são acionados quando o mundo mais precisa. Você, obviamente, é um deles.

Apesar de já batida e recontada em diversos tipos de mídia, a história é interessante. Entretanto, ao contrário do que se espera, ela não prende o jogador como deveria. Não espere uma narrativa elaborada e envolvente, pois o foco não esse. O jogo é dividido em uma série de missões em um mapa de mundo aberto e isso acaba por cortar a fluidez do jogo, tornando tudo mais mecânico.

Para tentar contrapor este ponto, os desenvolvedores colocaram uma série de itens colecionáveis espalhados pelo game – desde celulares até drones – que tentam melhorar a experiência imersiva do player dando mais consistência ao universo à sua volta. O esforço é louvável, porém em vão. As missões passam rapidamente à medida que o gamer avança, e poucas vezes você se questiona porque está matando todos aqueles incontáveis inimigos em sucessão.

the division 3“Ela apostou um olho que a história era boa. Deu no que deu.”

 Pôr do Sol Urbano

Uma coisa, entretanto, não se pode negar: a ambição do detalhamento gráfico demonstrado pelos desenvolvedores. A Nova York apresentada parece ter vida. Tudo que é apresentado no game, desde as mudanças climáticas até o interior dos prédios, é de um preciosismo ímpar. Provavelmente um dos jogos mais belos lançados nesta geração (até o momento, é claro).

Como se não fosse suficiente, a “Grande Maçã” é retratada com precisão quase milimétrica. É possível visitar lugares que existem de verdade, como Times Square e Madison Square Garden. Funciona praticamente como um city tour para quem não conhece a cidade. Por diversos momentos dei uma pausa no tiroteio simplesmente para observar o cenário e a interação do personagem como o mesmo. Ponto forte do game da Ubisoft.

the division 2“Realidade ou Videogame?”

 PVE e os Amigos

Para quem ainda não viu nada do jogo e está completamente cru, a informação primordial é que o game funciona como um MMO (Massive Multiplayer Online). Por mais que esse tipo de jogo não esteja completamente difundido nos para os jogadores de console, a modalidade já é bem conhecida dos players de PC.

O efeito prático, na verdade, é simples: você precisa ter internet para jogar, pois estará sempre online e interagindo com outros jogadores. Por mais que você consiga tranquilamente zerar o jogo sozinho, a grande diversão é jogar cooperativamente com mais 3 amigos em grupo, sejam desconhecidos ou gamebrothers de longa data.

As missões principais da história não demoram muito e logo após isso o game se torna uma busca eterna para se conseguir itens raros – desde armas até equipamentos – para melhorar os atributos e skills do seu personagem. Essa estrutura já pode ser vista em alguns jogos disponíveis atualmente para consoles, como Destiny, Borderlands e Diablo.

E por mais que a jogabilidade do game não mude praticamente nada, estando você no nível 5 ou no nível 30, é o tipo de jogo que vicia e que faz você refazer a mesma missão várias vezes na esperança de descobrir uma nova pistola ou um novo colete à prova de balas.

the division 4“Convenhamos, comandar em grupo é muito melhor que jogar sozinho”

 PVP e a Dark Zone

Ainda que a maior parte do jogo seja PVE (mais conhecido como “Player Versus Environement”, ou seja, você contra o computador), os gamers mais audaciosos vão querer entrar na Dark Zone. No jogo, a Dark Zone é a parte de Nova York que foi abandonada e cercada devido à contaminação excessiva do vírus. Lá não existe lei e a anarquia reina. E é por lá que rolam as partidas de PVP (Player Versus Player).

Além de encontrar outros gamers para enfrentá-los, vale salientar que também é possível  encontrar inimigos controlados pelo computador. A grande vantagem é que eles são muito mais poderosos que os inimigos normais e, após aniquilados, deixam itens mais raros/poderosos que os de costume.

Para melhorar ainda mais a dinâmica, todos os itens coletados na Dark Zone estão contaminados pelo vírus. Ou seja, o jogador não pode simplesmente equipar o novo equipamento adquirido após matar um inimigo – ele deve extrair o item de helicóptero. Este processo leva tempo, e outros jogadores menos amistosos podem ir atrás de você para tentar roubar seus ganhos antes que você consiga extraí-los para fora da Dark Zone em segurança.

the division 5“A tensão te aguarda na Dark Zone”

 O acerto de contas

Ainda que o jogo ainda tenha alguns bugs no servidor e tenhamos visto cenas lamentáveis na primeira semana de lançamento (tipo essa), penso que foi apenas falta de preparo da Ubisoft por não saber mensurar o sucesso que seria o próprio jogo que criou. Tenho confiança que esses pequenos gargalos serão superados com o tempo.

Aviso também que o gamer de console vai ter que se acostumar com alguns “poréns” que não são usuais para esse tipo de plataforma, apesar de comuns no computador. Por exemplo: quando o servidor está cheio, existe fila para entrar no jogo e você tem que esperar, mesmo que vá jogar sozinho.

No entanto, apesar dos pesares, The Division é um jogo que vale a pena jogar simplesmente pelo fator social. Mesmo não tendo um enredo que não chega nem perto do The Last of Us mencionado no início da resenha, jogar com os amigos e enfrentar os perigos de uma Nova York sitiada em grupo é realmente muito legal. A tensão instaurada quando se joga na Dark Zone é preciosa e diria que única em jogos de videogame. A Ubisoft acerta em cheio onde muitas outras desenvolvedoras falharam.

Nota:   the division nota ( 3,5 de 5 )