Resenha: Broken Sword 5 – The Serpent’s Curse

BSLogo“Paris in the fall. The last months of the year, and the end of the millennium. The city holds many memories for me. Of cafés, of music, of love… and of death.”


Memórias

O jogo Broken Sword: The Shadow of the Templars (em alguns lugares Circle of Blood) tem um espaço cativo no meu coração gamer. Lançado em 1996, foi amor à primeira vista. Foi o primeiro jogo de computador que joguei. Arte belíssima, música incrível e um ótimo texto. Irônico e divertido como bem interpretado. Sempre ficou na minha memória. E sempre acompanhei todas as suas iterações, desde o horrendo port para PS1 até o sensacional Director’s Cut para iOS.

A série tinha um charme inegável, mas infelizmente com a mudança de direcionamento da indústria, aliada a uma pressão das publishers, Broken Sword nunca teve o que merecia nas gerações mais avançadas e nunca se adaptou ao estilo 3D vigente.

Com a série quase fadada ao esquecimento, as versões do diretor dos dois primeiros jogos deram o fôlego que a Revolution precisava para reaquecer o interesse, um pouco mais de 10 anos depois. Superando todas as expectativas, inclusive financeiras. Para manter a integridade da obra, a Revolution se utilizou da plataforma de financiamento coletivo, o Kickstater, e conseguiu levantar $771k com 14 mil fãs da série.

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O círculo infinito

A versão que estou analisando é a de PS4 (que saiu somente esse ano, assim como Xbox e PC) e já vem com os dois episódios num mesmo download. Demais plataformas, são dois episódios. Para quem não conhece o estilo de point & click, cabem algumas explicações. É um estilo de exploração em telas estáticas, onde o jogador deve mover o cursor e clicar em pontos de interesse. Sejam conversas com os outros personagens ou pegar itens no cenário. Muito interessante é a utilização do botão central do PS4 como trackpad, facilitando ainda mais a interação.

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Broken Sword 5 é uma ode a própria série. Logo no início vemos cenas muito semelhantes ao primeiro jogo, até com o texto um pouco diferente mas familiar: “Paris in the fall” por “Paris in the spring” agora no novo. E isso não é ruim, pelo contrário é um aceno as origens e um direcionamento da proposta do jogo.

A história volta com George Stobbart ex-turista, agora trabalhando como investigador de fraudes de seguros. Ele está numa abertura de galeria de arte onde uma pintura acabara de ser roubada e o seu curador, morto por um bandido não identificado. Como sempre ele se mete em mil confusões. Vemos também a volta de Nicole Collard, intrépida jornalista que sempre acompanha os casos malucos de George. Muito bom notar que ambos personagens têm os mesmos dubladores que deram tanto charme aos diálogos nos outros jogos. Cabe notar a volta também de diversos personagens icônicos da série em cameos curtinhos, porém bem legais. Destaco o sensacional Sargento Moue que é impagável. E claro, o arqui-inimigo do George, uma cabra!

Como sempre a série se utiliza de pitacos de religião, ganância, mafiosos e exploradores para dar o tom do enredo. É como aqueles thrillers popularizados por Dan Brown. Pouco profundo, porém extremamente divertido. O mérito do texto está justamente nas interações entre os personagens. Não tem erro, é para rir e se divertir mesmo.

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De cara vemos como os gráficos 2D pintados são lindos e funcionam muito bem em alta definição (e funcionavam bem antes também). Cada cenário é espetacular, com muitos detalhes. O som do jogo também é muito bom e acrescenta a situação, criando momentum para as partes mais tensas ou de descobertas de segredos.

E como não podem faltar num jogo dessa categoria, os puzzles vão numa crescente. É curioso notar que na parte que corresponde ao primeiro episódio, eles são mais tranquilos e até mesmo intuitivos. Enquanto que na segunda parte são mais complexos, e remetem aos puzzles de antigamente que não faziam tanto sentido assim. Parece uma decisão tomada em momentos diferentes do desenvolvimento do jogo. Para quem não está acostumado com os jogos de outrora, mas sim com os jogos molezinhas de hoje, vai estranhar. Por que diabos vou juntar um clipe de papel com geléia de morango? Tem sentido, mas você não pensaria nisso de imediato.  No fim das contas, acaba sendo uma questão de tentativa e erro, ver quais itens combinam com outros e ver como isso afeta o problema em questão.

Revolução?

Não é um jogo que revoluciona o gênero nem muito menos avança com ele. Contudo, é muito bom ver a volta desse tipo de jogo e que sim, continua funcionando muito bem! Agrada muito aos gamers velhacos, mas também mostra um pedaço de história gamer para os novatos. É um jogo relativamente longo, não para os padrões atuais de mundo aberto de 200 horas. São umas boas 9 horas bem aproveitadas, com certeza.

Só não dou nota máxima pela discrepância dos tipos de puzzle entre as duas metades do jogo. Mas com certeza vale a pena ser jogado. Altamente recomendado!

Nota: BSNota

3 comentários sobre “Resenha: Broken Sword 5 – The Serpent’s Curse

  1. Cara, como eu adoro essa série. Ela tem um charme inigualável! Confira, porque tá muito bom!

    Agora esse Runway eu não conheço… 😦

    Curtir

  2. Pingback: GCG Podcast #029: Só Eu Joguei? Aponta e Clica | Gamer Como A Gente

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