Resenha: Batman Arkham Knight

Batlogo

O cavaleiro das trevas investiga os mais procurados de Gotham espancando canalhas no beco.


A série

BatArkham

Nosso mestre platinador Rodrigo Estevão vai discordar (GCG Podcast #006), mas a série Arkham talvez seja a melhor série de jogos do Batman, quiçá de super-heróis em toda a história dos videogames.

A Rocksteady foi fundada em 2004, e antes do Batman, somente tinha em seu track record um jogo bomba de PS2 chamado Urban Chaos. Sendo um estúdio recém aberto com nenhum vício de mercado, ele recebeu a incumbência de fazer um jogo do Batman. E em 2009 saiu Batman Arkham Asylum deixando fãs e não fãs de jogos de heróis com o queixo caído no chão. O sucesso foi tanto que o estúdio foi adquirido pela Time Warner.

Asylum trouxe elementos inconfundíveis do homem-morcego: gadgets, lutas incríveis, investigações (ou espancando canalhas no beco), clima sombrio, galeria de vilões e ainda por cima os principais dubladores dos personagens. Além de a história ser escrita por Paul Dini, um dos veteranos escritores de Batman. Em 2011, Arkham City nos brinda com uma expansão daquele universo criado em 2009 em um mapa ainda maior, mais vilões e mais Batman. E um final que deixou a todos de cabelo em pé.

Contudo, viria a decepção em 2013 com Arkham Origins. Sem a Rocksteady, sem Paul Dini, sem Kevin Conroy como Batman, sem a marca registrada da série. No mesmo estilo da série Assassin’s Creed de fazer uma vaca leiteira, a Warner apostou errado em lançar o jogo, sendo apenas mediano. Origins mostrava um Batman em sua infância da luta contra o crime sendo inexperiente e caçado pelo departamento de polícia.

Então quando a Rocksteady anunciou que estava fazendo a nova aventura de Batman e que concluiria a “trilogia” Arkham, os fãs ficaram extasiados! E ainda por cima, trazendo tudo de volta, numa Gotham gigantesca e um escopo ainda maior e o Batmóvel! Vamos ver como ela se saiu.

Gotham, a terra de ninguém

BatMap

O jogo se passa um ano depois dos eventos de Arkham City, onde o Batman continua pensando sobre o que aconteceu (não irei revelar, por causa dos não iniciados na série). Nesse ínterim, Gotham vive um período de paz como nunca havia vivido antes (provavelmente a Wayne Enterprise estava indo a falência, não é mesmo?) Contudo, isso também é uma chance que a galeria de vilões tem de armar mais uma para o nosso cavaleiro das trevas. E é isso que acontece!

Na noite de Halloween, o Espantalho solta uma amostra do seu gás do medo que força a evacuação de toda a cidade. Restando apenas os vagabundos e a polícia recuada na delegacia. Aliado a isso, uma milícia comandada pelo misterioso Cavaleiro de Arkham domina as ruas, colocando bombas, checkpoints, torres de observação e patrulhas de drones. Este Cavaleiro de Arkham parece conhecer muito bem o Batman, falando sobre suas fraquezas e suas forças, quem será este vilão? Dica: se você curte os quadrinhos, é muito fácil adivinhar. Mas se prestar atenção no jogo, também é fácil.

A cidade é muito grande e para se locomover através dela (e sem loading algum!) o Batman poderá se lançar pelos céus de Gotham (quem precisa de Superman?) ou utilizar o seu fiel escudeiro (Robin?), o Batmóvel. Com alguns minutos de jogo você já tem acesso ao carro que vai te acompanhar em MUITAS quests do jogo. Em algumas delas, faz realmente sentido que você utilize o carro, mas ainda assim na maioria das vezes é muito forçada a utilização dele. Para que realmente fosse fácil de dirigir o Batmóvel, ele não se comporta bem como um automóvel, é quase um personagem humanóide (não que ele se pareça um humano ao se movimentar). Escala paredes, sobe nos telhados, pula abismos e por aí vai.

BatMission

E o que tem se têm para fazer nessa cidade? Muita coisa, porém a mesma coisa muitas vezes. Infelizmente o jogo sofre dos mesmos problemas de jogos de mundo aberto por aí, principalmente no estilo Assassin’s Creed e Far Cry. Além de recolher uma infinidade de troféus do Charada (243 nessa edição) que é um clássico da série (horrível), Batman terá que destruir drones voadores, desarmar bombas, destruir patrulhas móveis, destruir torres de câmeras, acabar com checkpoints da milícia nas ruas. Isso muitas e muitas vezes. Mesmo quando o Batman está a caça do Duas-Caras por exemplo, até ele ser pego, você deverá repetir o mesmo cenário 4 vezes, com dificuldades diferentes, é claro. Mas mesmo assim, não deixa de ser repetitivo.

As missões são escolhidas numa roda que mostra o percentual de avanço em cada uma delas. Dependendo da onde você esteja na história ou um encontro aleatório na cidade, as missões abrem ou ficam travadas durante um tempo. Deixo o aviso aqui, pode parecer um spoiler, mas não é. Para ver o final verdadeiro completo, você tem que fazer 100% do jogo. Isso inclui, pegar todos os troféus do charada. Você pode ver também o final verdadeiro reduzido atingindo um certo threshold de missões completadas.

Um ponto muito positivo e extremamente engraçado, é quando você capta as conversas dos bandidos! Prepare-se para muitos momentos divertidos! Há alguns easter eggs como histórias antigas do Batman sendo mencionadas, vilões de outros heróis da DC (esse é fácil demais, porém, não menos interessante), cartazes e por aí vai. Muito carinho nessa parte do jogo.

 Exército de um homem só (e o seu fiel cavalo, quero dizer, carro)

BatSkill

Ao cumprir as diversas missões que o jogo te oferece (e são muitas) você ganhará pontos que poderão ser trocados por upgrades em 6 categorias diferentes: combate, armadura, gadgets (que se divide em 2), batmóvel e armas do batmóvel. Além de que o cavaleiro das trevas já começa com todas as habilidades e armas dos jogos anteriores, sendo um justiceiro experiente e eficiente. Tendo isso em mente, você pode espalhar os seus pontos em qualquer categoria que gostar, porque francamente, os pontos virão em abundância. Mesmo que algumas habilidades e upgrades sejam mais caros.

Os cenários de performance do Batman continuam os mesmos porém mais refinados ainda e com alguns tweaks em comparação com as edições anteriores. O cenário de combate freeflow está mais gostoso e com número bem crescente de adversários e bem variados. Tendo que pensar como você lidará com a situação. Mesmo apertando o ataque diversas vezes e achar que isso basta, um combate variado trará um resultado melhor. O modo predador ainda é o melhor que o Batman tem a oferecer, os cenários são muito bem estruturados e os inimigos não estão bobos esperando serem pegos de surpresa. Há controladores de drones aéreos, armas de sentinela, inimigos que não podem ser vistos no detective mode, inimigos que interferem no detective mode e inimigos que te acham por causa do detective mode. Tudo isso as vezes no mesmo cenário.

Quando não está espancando canalhas no beco, o Batman está pilotando seu carro por Gotham. Algumas das missões requerem 100% do uso do Batmóvel para completar. Tipo perseguições dos carros da milícia pela cidade. Honestamente, nada demais. É interessante notar o poder destrutivo do carro ao lidar com as edificações e arsenal inimigo. Além da sensação de peso e velocidade que o carro passa. Mas é muito cômico quando claramente um inimigo a pé que seria atropelado por um trambolho daqueles apenas sofre um choque quando encostado pelo carro. Mesmo a uma velocidade absurda!

Outro ponto estranho é que quando atacado por drones, o Batmóvel entra em modo combate apertando o L2 (ou LT), movendo-se lentamente em todas as direções desviando-se e atirando de volta com um canhão metralhadora e mísseis. Porém quando está em perseguição, só pode usar um ataque com o O (Y), que demora uma eternidade para carregar. Se você entrar em modo combate, não sai nenhum tiro. Parece bastante arbitrário. E o pior, modo predador de Batmóvel. Preciso descrever mais?

Missão cumprida

Eu poderia dizer que o jogo é apenas um “mais do mesmo” que não acrescenta nada a série. E de fato isso é verdadeiro, os avanços no sistema de jogo são poucos e não modificam a experiência do jogador com base nos jogos passados. Porém, é tão divertido ser o Batman e aterrorizar os bandidos de “n” formas que com certeza vale a pena a experiência.

Como pontos negativos, destaco a infinidade de missões repetitivas, forçar a utilizar do Batmóvel em diversos segmentos do jogo. E ter que pegar todos os 243 troféus do Charada para ver o final total não é recompensador, tampouco divertido. O jogo não precisa ser esticado artificialmente assim, aliás, nenhum jogo.

Nas palavras da Rocksteady esse jogo é o desfecho da trilogia (sem Origins) do Batman. Não sei o que eles têm de planos para um novo herói ou para o Batman. Mas se houver um novo jogo do morcego, eu sugeriria aproveitar ainda mais o Detective Mode, modo Predador e fazer uma experiência mais contida de investigação. Seria muito interessante de ver. O pouco que é usado de investigação nesse jogo é simplório, mas com boas ideias, e a trama secundária dos assassinatos misteriosos realmente instiga o gamer ficar procurando as pistas. Fica para a próxima.

Nota: batnota1 (3,5 / 5,0)

6 comentários sobre “Resenha: Batman Arkham Knight

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