Resenha: The Witcher 3

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 Mais um dia mais um monstro.


 Origens

WitcherOrigens

Andrzej Sapkowski (é, eu sei, impronunciável) fez a primeira história de Geralt no longíquo ano de 1986, como parte de um concurso de contos de fantasia e ficção científica da revista polonesa Fantastyka.  Acabou se tornando um sucesso entre os críticos e o público, gerando mais conteúdo nesse universo fantástico. Inicialmente começando como um brincadeira, a obra se tornou um dos expoentes literários da Polônia.

Muitos anos depois, em 2007, a CD Projekt Red acreditando na obra e querendo igualar a saga de Geralt no mesmo patamar de grandes obras da cultura pop lançou o primeiro jogo da franquia. Em 2011, viria o segundo jogo que consolidou o nome tanto da empresa quanto de Geralt.

Infelizmente, Andrzej se mostrou um grande opositor da obra eletrônica, ele mesmo dizendo que os jogos apenas se baseiam na estrutura e mundo que ele criou. Não sendo nem mesmo considerado canônico ou complementares. Em suas palavras, apenas o autor da obra pode dizer o destino que os personagens tomarão. Chegando ao cúmulo de afirmar que histórias somente podem ser contadas em livros. Acrescentando inclusive que o desconhecimento de alguns gamers ainda os levam acreditar que os livros são secundários ao jogo, sendo somente novelizações do mesmo.

Ao que tudo indica Andrezj pode se sentir um pouco triste, pois sua obra se tornou mundialmente conhecida não através de suas palavras, mas do jogo baseado nelas. Acrescentando ao fato de que quando o presidente Obama visitou a Polônia em 2011, o Primeiro Ministro o presenteou com uma cópia do jogo Witcher 2.

Profissão: Bruxeiro

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Conheçam Geralt de Rivia, o bruxeiro mais querido de todos. Bruxeiro é uma tradução livre de Witcher, que mais se refere ao fato de sua profissão do que de seus poderes. Voltando ao seu criador Andrezj, ele prefere e acha que a tradução mais apropriada  é Hexer, algo como amaldiçoador. Apesar de no jogo ser referido como um mutante, nos livros Geralt nunca se refere a si mesmo como um não humano, sendo a mutação apenas uma ferramenta. No lore do jogo para se tornar um bruxeiro, o candidato tem que tomar uma série de poções e sobreviver para que possa despertar o seu poder.

O que vem a ser um bruxeiro? Munido de uma espada de prata para os horrores do mundo e uma espada de aço para os inimigos mundanos, um bruxeiro enfrenta atrocidades buscando apenas uma recompensa monetária.

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Para enfrentar estes monstros cada vez mais difíceis, Geralt precisa estar bem equipado o tempo todo. Poucos itens de relevância são drops de inimigos ou encontrados em baús. O arsenal do bruxeiro é montado através de receitas encontradas no mundo (ou compradas dos lojistas), tendo reunido o material necessário para a sua confecção, basta levar ao ferreiro ou ao armeiro para fazer. Fiquem atentos, que o equipamento tem nível mínimo para se utilizar. Além disso, o ferreiro ou armeiro precisam ser aptos a fazer aquele item também com base na sua habilidade. Atenção que conforme você usa as suas espadas e as suas armaduras, elas decrescem em durabilidade, ou seja diminuem em performance. Levem-nas para os ferreiros e armeiros, ou usem itens de reparo on-the-spot para que não fiquem na mão.

Como forma de ataque, um bruxeiro também pode contar com os sinais. Basicamente são o equivalente da magia simples para um humano comum. Não confundir com as magias executadas pelas feiticeiras, que são bem mais complexas e requerem palavras de poder. Os sinais são chamados assim, porque requerem um movimento específico atrelado a sua utilização, portanto é como se fosse até mesmo algo físico. Geralt tem ao seu dispor 5 sinais: Aard, Yrden, Axii, Quen e Igni. Apesar dos nomes complicados, sua utilização é bastante direta. Aard é um ataque telecinético que nocauteia os inimigos ou destrói paredes e passagens. Yrden é um tipo de armadilha que deixa os monstros mais lentos ou no caso de aparições, deixa elas visíveis. Axii é um sinal de controle, pode ser usado nos diálogos para outras formas de resolução ou nos inimigos deixando-os tontos ou até mesmo eles lutando a seu favor. Quen é a típica barreira de dano, mas ela também pode eliminar os status negativos. E Igni, com o nome mais fácil de entender, é um ataque de fogo.

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Para se preparar para os inúmeros embates durante o jogo, Geralt pode tomar poções que irão melhorar suas habilidades e dar algumas vantagens contra certos monstros. Toda vez que ele toma uma poção, aumenta o nível de toxicidade, sendo ultrapassado o limite, sua vitalidade começa a decrescer. Então cuidado ao consumi-las! Da mesma maneira que os equipamentos, Geralt busca receitas e ingredientes durante seus passeios pelo mundo, assim conseguindo preparar novas poções e bombas também. Uma vez feita a poção, está aprendida para sempre, para repor os usos, basta meditar e ter o item “Alcohest” no inventario.

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Durante a sua jornada, Geralt ganha experiência. E ao conseguir completar um nível, ele ganha um ponto de habilidade. Adicionalmente, um ponto de habilidade também é concedido ao desbloquear pela primeira vez um local de poder no mapa.

O sistema de evolução é um pouco confuso, mas não é tão difícil assim. Os pontos podem ser distribuídos em 4 categorias, representado por 4 cores distintas. Vermelho para ataques físicos, azul para sinais, verde para alquimia e amarelo para neutro. Dentro de cada categoria existem 4 níveis e 5 habilidades específicas. Quanto mais pontos você gasta em um nível na mesma categoria, um outro nível é aberto. Portanto, pensem na hora que forem gastar esses preciosos pontos. Aliás, cada habilidade possui níveis também, então atenção na hora da evolução.

Em níveis de personagem específicos, slots são liberados para que você possa alocar essas habilidades. Sim, não basta compra-las, tem que ter o espaço para equipa-las. Há um grid de quatro quadrantes, cada um possibilitando equipar 3 habilidades, dando um total de 12 habilidades apenas. Dentro de cada quadrante, é possível equipar também um mutagênico, este item é obtido ao derrotar alguns monstros. Representado por uma cor específica, ele aumenta algum status: vermelho para ataque, azul para poder do sinal e verde para a vitalidade. Ao unir habilidades da mesma cor do mutagênico no mesmo quadrante, o poder é aumentado exponencialmente.

Mundo cruel. Decisões difíceis.

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*INÍCIO DE SPOILERS DE WITCHER 2*

O jogo começa logo após os eventos de Witcher 2. O mundo foi desestruturado graças a Estada das Feiticeiras. Philippa Eilhart havia planejado o assassinato dos reis dos principais reinados de forma a levar a Estada ao governo da região. Philippa havia contratado Letho, também um bruxeiro para dar cabo de suas ambições. Por causa disso, Geralt passa a totalidade da história tendo que provar a sua inocência além de ter que recuperar a sua memória na época que estava sob jugo da caçada selvagem.

Ao final Geralt descobre que tudo isso era um complô de Nilfgaard para desestabilizar os reinos do norte. Em contrapartida das ações de Philippa, o reino de Redânia começa a sua caçada contra os magos e feiticeiros, com o máximo de preconceito. Como pano de fundo em Witcher 2, já existia essa desconfiança perante os magos e não humanos.

*FIM DE SPOILERS DE WITCHER 2* 

Witcher 3 começa Geralt já com sua memória recuperada, seguindo os rastros de Yennefer de Vengerberg através de Pomar Branco. Encontrando-a, Geralt segue para Vizima, onde recebe a tarefa do imperador de Nilfgaard, Emhyr, de resgatar a sua filha biológica, Ciri. O problema é que Ciri já está sendo perseguida pela Caçada Selvagem por causa do seu sangue ancestral. Cabe a Geralt descobrir uma maneira de resgata-la e impedir a Caçada Selvagem de causar mais destruição. Em Vizima, como parte de um interrogatório, Geralt responderá a algumas perguntas que darão um background do jogo anterior da série. Obviamente ter jogado, ajuda a entender ainda mais o contexto, mas não ter jogado não atrapalha em absolutamente nada o aproveitamento do Witcher 3.

A área de Pomar Branco (White Orchard) serve como um pequeno tutorial das atividades que Geralt pode fazer em cada região. Investigando evidências das aparições de Ciri, o nosso bruxeiro vai parar em Velen, Novigrad e Skellige. Três grandes regiões com os seus próprios problemas e resoluções. Geralt tanto pode atrapalhar quanto ajudar.

É muito curioso esse fato, porque os bruxeiros são sempre tidos como neutros e apenas se encarregam de matar monstros. Contudo, Geralt sempre está metido em conflitos políticos e vez ou outra tem que tomar alguma decisão que pode impactar o rumo do jogo. Ciri também é muito especial para ele. Ela é como se fosse a sua filha adotiva, portanto, não pode deixa-la de lado. Interessante notar que as decisões tomadas no jogo não são sempre preto-e-branco. E muitas vezes as suas ramificações não são notadas de imediato. Pensem antes de responder alguma coisa.

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Geralt em sua busca por Ciri, pode engajar em diversas missões que o ajudarão a evoluir e também mudar o mundo a sua volta. O mapa é deveras gigantesco. Para trafegar, ele pode contar com o seu cavalo, o Carpeado. Além de que pode usar pequenos barcos para navegar nos mares. Para facilitar a jornada, pontos de viagem rápida são liberados conforme vai avançando. Cruzando pequenos vilarejos e grandes cidades, Geralt encontrará personagens com quem poderá interagir e murais com pedidos de ajuda e contratos para dar cabo.

O menu de quests basicamente se divide em 4 etapas: missões primárias, onde está a busca por Ciri; missões secundárias, muitas das vezes essas missões estão entrelaçadas com as primárias, mas normalmente são missões sem muita correlação com a main quest; contratos de bruxo, que são o ganha-pão de Geralt; e mapas do tesouro, são relatos de tesouro que ele encontra ao longo do jogo e deve ir até o local para descobri-lo, serve também para pegar tesouros de bruxo.

Adicionalmente, ao ouvir conversas ou relatos de livros, pontos de interrogação são acrescentados no mapa e podem ser posteriormente investigados e possivelmente se tornando uma missão secundária. Pontos de exclamação também são marcados no mapa e se tratam de missões que são dadas quando um NPC avista o Geralt e quer falar com ele.

Se você estiver cansado de toda essa aventura, Geralt pode relaxar participando de corridas de cavalo, brigar no mano a mano em bares, ou até mesmo jogando gwent, que é um tipo de jogo de cartas, quase ao estilo Magic. É aquele tipo de jogo: fácil de aprender, difícil de masterizar.

Conclusão

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A CD Projekt Red realmente caprichou no jogo. Ele é massivo! O carinho já começa na sua versão física que há muito não se via. Vem com um cartão de agradecimento e até mesmo um CD com as músicas do jogo! Inacreditável. Ademais, o lançamento contou com um cronograma de 16 DLCs grátis que não incluíam somente mudanças cosméticas, mas também vinham com novas missões e equipamentos para Geralt, e até mesmo um modo de New Game Plus. Além disso, as duas expansões que devem chegar em breve (pagas, mas que valem a pena) prometem acrescentar cerca de 30 horas de jogo, que somadas as muitas horas do jogo engrandecem ainda mais o pacote.

Lógico, nem tudo são flores. Com um jogo gigantesco desses, muitos gamers tiveram problemas com bugs, quests bloqueadas entre outras coisas. É importante notar que a CD Projekt sempre anota o feedback dos seus gamers e planeja as melhorias de acordo. Mas considerando o tamanho de Witcher 3, os problemas realmente são pontuais e não game breaking.

Dessa vez tivemos um excelente exemplo de como fazer a localização em português do Brasil, a voz de Geralt está profunda e grave como imaginamos que um bruxeiro da classe dele deveria ter. Entre outras vozes muito bem colocadas. Claro, percebe-se a utilização de alguns mesmos dubladores que fazem vozes dos diversos NPCs espalhados pelo mundo, com algum grau de sucesso, mas não chega a atrapalhar também. Os diálogos foram muito bem localizados, inclusive com palavrões e xingamentos.

Witcher 3 é uma experiência altamente satisfatória que não pode faltar no catálogo de nenhum gamer!

Nota: Witcher3Nota(5,0 / 5,0)

4 comentários sobre “Resenha: The Witcher 3

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